sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Sondagem da Católica mostra subida do PSD que se mantém a 3% do PS

Apesar da crise política, numa sondagem da Universidade Católica, o PSD sobe nas intenções de voto mantendo-se a tão curta distancia do PS que é inferior à margem de erro do estudo.

Já o CDS que desencadeou a crise, é penalizado. Contudo, sendo Portas quem, é as coisas irão mudar, antecipo, nos próximos dezoito meses.

Vamos todos torcer para que Seguro, o anão que mente no parlamento, não seja remodelado até 2015.

Albuquerque esmaga a Inspectora Ana Drago na Comissão.

Meteu dó.

A pobre Ana Drago cheia de contradições, mais loira que a loira, reduzida por Albuquerque.

A extremista, de joelhos, tentou terminar fingindo que Albuquerque afirmara (ordem a rever):

   - Que ninguém no governo sabia o que era isso dos SWAPs (quando Albuquerque é uma especialista em SWAPs e ela própria usou esse instrumento com grande ganho para o país) e a ministra respondeu explicando  que ninguém no Governo recebeu, como era estrita obrigação dos que endividaram o país, nenhuma passagem de informação sobra a existência de SWAPs tóxicos, mas que não pararam até descobrir a verdade sobre esse buraco financeiro do Governo PS;

   - Que recebera informação mas não na pasta de transição e Albuquerque repetiu com firmeza que ninguém no Governo recebeu, como era estrita obrigação de Teixeiras e Pinas, nenhuma passagem de informação sobra a existência de SWAPs tóxicos, mas que não pararam até descobrir a verdade sobre esse buraco financeiro do Governo PS;

   - Que ela é que não recebera qualquer informação mas Gaspar recebera, mas Albuquerque esmagou explicando que ninguém no Governo, nem ela nem Gaspar, recebeu como era estrita obrigação do governo socrático, nenhuma passagem de informação sobra a existência de SWAPs tóxicos
(como testemunhou Gaspar) mas que não pararam até descobrir a verdade sobre esse buraco financeiro do Governo PS;

   - Que recebera informação mas que não era relevante, após o que Albuquerque reduziu Drago à sua dimensão explicando que ninguém no Governo recebeu como era estrita obrigação da corja socrática, nenhuma passagem de informação sobra a existência de SWAPs tóxicos, mas que não pararam até descobrir a verdade sobre esse buraco financeiro do Governo PS;

A incompetência dos que pedem a demissão de Albuquerque é bem espelhada nesta peça em que o articulista ora se baralha, ora alucina.

 Achei graça aquela ideia dos detratores de Albuquerque de que todos lemos todos os dias todos os mails que recebemos e, melhor, memorizamos a que horas lemos mails que recebemos há dois anos. Mas o autor tem o mérito (involuntário, presumo) de citar Albuquerque ipsis verbis, mostrando assim que a narrativa do rapaz que não tirou um curso e que Ana Drago repetiu, é ela própria uma narrativa falsa.

E mesmo que não fosse - e é - seria irrelevante como explico sucintamente aqui

Já o PS apareceu a um milímetro de dizer com grandes parangonas: "Seguro ontem à noite mandou este mail à ministra sobre SWAPs, como pode ela aparecer hoje aqui a dizer que não foi informada"?


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Desembargadores

A fazer fé no Blasfémias, no Insurgente e outros blogs, os Juizes Desembargadores Eduardo Petersen Silva, Frias Rodrigues e Paula Ferreira Roberto produziram, a propósito de trabalhadores camarários alcoolizados, uma peça literária ao melhor gosto terceiro-mundista.

Para quando, pergunto, uma antologia que faça jus à literatura jurídica do Supremo?

Para quando um levantamento desse manancial de humor grotesco, de comicidade involuntária que ramalhetes de desembargadores produzem com entusiasmo ano após ano?

Rui Rio - diretamente da Ribeira para a Corte? III

Mas infelizmente Rio fez bastante pior numa questão já não adjectival mas substantiva.

Tanto pior quanto Rio tem formação económica ele próprio e por isso a mentira é claramente dolosa e reveladora do risco de Rio abrir a boca.

Trata-se do facto de Rio ter acusado Albuquerque de ter demitido pessoas como um Sr. Eng. que ele, Rio, preza, por terem feito contratos SWAP tóxicos, com aumento do risco e perda para o Portugal e ela própria na REFER ter feito contratos SWAP não tóxicos com diminuição do risco e ganho para o país.

Aconselhamos, pois, Rio a manter-se calado enquanto Pacheco, e outros, o entronizam, tal como o aconselhamos a mudar-se para Lisboa tão cedo quanto possível para aprender o estilo da Corte porque saltar diretamente da Ribeira para a Corte parece, no seu caso concreto, não impossível mas arriscado.

Arriscado até porque o PS iria recordar a passagem de Rio pela Metro do Porto, uma sociedade que deixa a desejar em termos de higiene das contas.

Rui Rio - diretamente da Ribeira para a Corte? II

Lido o post anterior analisemos esta última vez que Rio falou.

Rio disse que Menezes iria destruir tudo o que ele fez no Porto. Ficou a ideia que se trataria principalmente duma questão de despesismo. Mas isso incluiria também um re-aquecimento da velha questão do Porto como capital do Norte, do Norte contra o Sul ou da sua variante politicamente correta - do país contra a capital -, da entrada pela porta grande do FC Porto e todos os lobies que existam a norte, etc.

A questão do despesismo não colhe por motivos que explicarei noutra altura mas o resto parece verdade.

É claro que Menezes não é apenas esse pacote. Menezes, como Jardim e todas as figuras complexas, tem outra face. Essa outra face é intolerável pelos media da capital.

Portanto as declarações de Rio sobre Menezes não são um problema mas uma vantagem. Contudo é uma vantagem fast-food. Qualquer tipo do Porto que queira impressionar um Lisboeta pode fazê-lo de uma forma rápida discordando de Menezes, como qualquer madeirense o pode fazer atacando Jardim. É fast-food: muitas calorias e pouca imaginação.

Onde Rio se espetou foi quando quis tomar partido numa polémica que divide as pessoas em Lisboa. Aqui não era garantido o sucesso. Trata-se da questão dos SWAP e da mentira de Seguro sobre Albuquerque.

Rio não disse explicitamente que Albuquerque tinha mentido. Disse que ela não tinha dito toda a verdade. É uma versão menos sofisticada da ideia de Semedo de que Albuquerque chega sempre tarde à verdade, a que Rio não conseguiu tirar o corolário evidente e que é que Albuquerque, à sua maneira tinha mentido.

Como Albuquerque não mentiu e, pelo contrário, desmascarou a mentira Socrática sobre os SWAP tóxicos, atraíndo a cólera dos branqueadores do governo de Sócrates - principalmente o grupo de Costa - Rio mentiu ele próprio. É uma questão factual.

Rio contudo mentiu duma forma pouco hábil quando logo após ter acusado Albuquerque de não ter dito toda a verdade, num assunto em que toda a verdade deve demorar duzentas horas a ser dita, quando, dizia, não foi capaz de dizer toda a verdade numa questão em que toda a verdade se diz em dois segundos: Será o projeto de Rui Moreira mais próximo do de Rui Rio para o Porto?

Em vez de dizer que sim, que é o mais próximo, Rio respondeu com uma frase vazia, muito usual na politiquisse partidária. Onde está aqui a verdade toda?

Rui Rio - diretamente da Ribeira para a Corte? I

Há pessoas que quanto menos falam melhor ficam na fotografia.

É de temer que Rui Rio seja um desses casos.

Ao pôr na ordem o F. C. Porto, ao governar a cidade sem chorar em demasia a sua secundarização em relação à capital sem império e ao ser de boas contas, Rui Rio conseguiu uma imagem de alternativa séria aos desmandos da partidocracia.

Era, digamos assim, uma espécie de Cavaco sem bolo rei.

A manutenção dessa imagem implica que Rio fale pouco. Deve evitar abrir a boca para produzir sons que vão além do bocejar, do assobio ou do trautear de uma musiquinha.

Rio deve falar pouco por dois motivos:

#1 O povo gosta dos calados.

#2 Tem muito pouco para dizer.


quarta-feira, 31 de julho de 2013

Uma lição para Pacheco Pereira e os Velhos do Restelo

No post anterior abordei uma característica da sociedade portuguesa: a sua enorme plasticidade.

Essa plasticidade sofre um incremento logarítmico em tempos de crise.

Pacheco, Costa e mil Velhos do Restelo declaram que Portugal terá uma crise para 20 anos.

Enganam-se e enganam-se redondamente.

Acontecerá agora o que aconteceu após o PREC e após a vinda dos retornados: Portugal adapta-se a enorme velocidade e há sinais de que isso está a acontecer neste preciso momento.

A crise recuará a uma velocidade que impressionará mais a Europa que os Velhos do Restelo.

Esses não aprendem nada nem esquecem nada.

25 de Abril, a fuga de cérebros e a chegada dos retornados.

Após o 25 de Abril, principalmente após o início do PREC observou-se nas Universidades e nas empresas uma importante fuga de cérebros. Concomitantemente deu-se a chegada de centenas de milhar de retornados de África.

A maioria dos observadores não marxistas declarava uma crise para 20 anos.

Não aconteceu.

Uma parte dos retornados - principalmente os vindos de Angola - eram muito empreendedores e injectaram dinamismo no país de alto abaixo.

Pessoas que tinham fábricas de fósforos em Angola construíram fábricas de isqueiros em Portugal.

Nas Universidades os lugares abertos por quem saiu foram rapidamente ocupados por jovens filhos da revolução de Veiga Simão no ensino.

Esta enorme plasticidade da economia portuguesa espantou mais a Europa que os Velhos do Restelo.

Com a crise atual acontecerá o mesmo.

A crise atual recuará a uma velocidade que impressionará mais a Europa que os Velhos do Restelo.



Evolução sazonal do desemprego.

O desemprego baixa sazonalmente no verão.

Este ano Abril 17,8; Maio 17,6 e Junho 17,4.

Dada a crise no Egito e na Tunísia, entre outros fatores, o turismo está a ter um ano bom este ano.

A descida do desemprego tem a ver com isso.

Seria bom que não fosse apenas isso mas é cedo para pensar dessa maneira.

PS: ATUALIZAÇÃO EM JANEIRO DE 2014 - foi bom perceber que não foi apenas sazonal. A descida do desemprego continua a ocorrer e tem uma outra explicação, coerente com o fim da recessão - Portugal está a dar a volta como uma nova economia mais jovem e mais competitiva.

Desemprego desce. Sócrates declara o fim da crise.

De louvar a coerência de José Sócrates.

No seu governo cada vez que o desemprego oscilava para baixo num mês o Governo declarava com pompa e circunstância que a crise tinha acabado.

Hoje, tiremos-lhe o chapéu, Sócrates e os socráticos convocaram uma conferência de imprensa e declararam o fim da crise.

Seguro mentiu no parlamento. Que ninguém exija a sua demissão.

Ouvido Gaspar e ouvida Albuquerque confirma-se aquilo que escrevi sobre este assunto em múltiplas entradas anteriores. O governo do PS ajudou a afogar o país em dívidas, sendo os SWAP tóxicos o seu malabarismo mais recentemente conhecido. Tendo criado o problema tomou a decisão de não o incluir na pasta de transição, como Albuquerque denunciou e se pode concluir da consulta da pasta, disponibilizada pela ministra.

Albuquerque, é agora evidente, não mentiu. Pelo contrário denunciou quem mentiu.

Já de António José Seguro não se pode dizer o mesmo. Quando fingiu que Albuquerque tinha mentido, sabendo bem não, Seguro mentia ele próprio.

Seguro mentiu no parlamento.

Peço que ninguém exija a sua demissão. 

Perdia-se um cómico involuntário de invulgar gabarito.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Maria Luis Albuquerque: Haverá diferença entre chá e chá venenoso?

Albuquerque acha que sim.

Acha que beber chá não só não faz mal mas até pode ser muito bom.

Durante a sua passagem pela REFER Albuquerque bebeu chá e chá do bom. Parece que o estado terá ganho 31 milhões de euros com chá desse tipo, só na REFER. Os bancos também terão lucrado. Como é regra nos contratos legítimos, ambas as partes ganham. É por isso que assinam os contratos. Eu tenho dois pacotes de manteiga e tu tens 4 pães - trocamos dois pães por um pacote de manteiga e ambos ficamos com pão e manteiga.

Acontece que, porém, Albuquerque não gosta de chá venenoso. Albuquerque acha que o PS deveria ter esclarecido nas pastas de transição que havia muito veneno no chá que muitas empresas públicas andavam a beber.

O PS - Costa Pina e Teixeira dos Santos - nada disse em relação a esse veneno.

A mim não me espanta, pois foi o PS que envenenou as empresas públicas. Aliás envenenou o país inteiro, deixando-nos agora a ter de pagar as dezenas de milhar de milhões de euros que pediu emprestado ao estrangeiro.

Já os media continuam a espantar-me.

Quando Albuquerque fala de não ter sido passada informação sobre os SWAPs tóxicos, eles tendem a esquecer a parte dos tóxicos.

Confundem beber chá com beber chá venenoso.

É difícil acreditar que é só incompetência.

Maria Luis Albuquerque mentiu? V

Não ouvi as declarações do ex-ministro Vitor Gaspar, tendo apenas lido a transcrição das suas declarações na imprensa.

Vitor Gaspar disse em súmula:

#1 Toda a gente que trabalha naquela área sabia da existência de contratos SWAP nas empresas públicas.

Isto havia sido antecipado por mim quando escrevi no post "Maria Luis Albuquerque mentiu?  IV" que num país com 10.000.000 de habitantes, metade dos das grandes metrópoles, as pessoas sabem das coisas bem antes de serem vertidas em papel.

O governo PS saberia concerteza do caráter "faustiano" desses contratos em que vendia a alma aos piores demónios da banca. Sabia e nada fez. O que não espanta pois se foi no seu governo que explodiram esses contratos...

Albuquerque, como todas os profissionais experientes, saberia muito antes de ser ministra da existência de contratos SWAP nas empresas públicas. Ela própria ajudou a celebrar contratos desse tipo, no seu caso muito lucrativos para o estado.

#2  Em relação a esse conhecimento geral, Teixeira dos Santos pouco ou nada acrescentou na pasta de transição entre ministros.

Ou seja, toda a gente sabia de contratos SWAP mas Teixeira dos Santos nada de relevante informou em relação ao caráter tóxico duma parte desses contratos.

Os contratos SWAP podem ser legítimos e esses manter-se-ão pois são um instrumento financeiro de diminuição de risco.

Já os contratos específicos, "faustianos", que no governo PS foram assinados em muitas EP, não dimínuiam os riscos - AUMENTAVAM-NOS. Por isso eram tóxicos para o estado.

A Troika desconfiava que alguma coisa escondida havia. Albuquerque não parou até os esclarecer e resolver.

Nem Teixeira dos Santos nem Costa Pina passaram a Albuquerque o caráter ilegítimo desses contratos tóxicos que favoreciam a banca e prejudicavam Portugal.

Não há problema em assinar contratos SWAP. São legítimos.

Há problema em assinar (como expliquei noutros posts) SWAPs tóxicos.


O Papa Francisco e os Homossexuais

Sobe os homossexuais o Papa questionou-se "quem sou eu para os julgar".

Esta afirmação retira a identificação homossexual da esfera do pecado.

Contudo não consagra a prática de atos homossexuais como aceitável na doutrina da Igreja.

Por exemplo, em relação aos atos heterossexuais, a Igreja pronuncia-se no sentido de estabelecer limites.

Transpondo para a homossexualidade os mesmos princípios, isto levaria tão só à aceitação da homossexualidade casta.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Marcelo e Albuquerque : 10 valores

Marcelo pior que Marques Mendes.

Não refere que os problemas contratuais com os SWAP tóxicos não foram passados, fingindo o PS que eram contratos normalissimos.

10 valores.

Marcelo recorda que Gaspar será ouvido em comissão.

Aguardamos Gaspar.

domingo, 28 de julho de 2013

Portugal acerta ao lado II

Lido o post anterior pode perguntar-se: haverá relação entre a partidarite, a falta de transparência, a proteção dos do topo, a falta de responsabilização e a cedência aos bancos e o país mediático não reconhecer quando alguém, como Albuquerque, faz diferente?

Há.

Se o país mediático reconhecesse o mérito de quem faz diferente, não haveria tanta partidarite, amiguismo, subserviência e opacidade.

A incapacidade de reconhecer quem faz diferente faz parte da mesma doença que leva aos males anteriores.

Nessa doença os meios mediáticos são sempre piores que o próprio poder político.

Portugal acerta ao lado I

#1 O país tem um problema real crónico de falta de transparência: Albuquerque não parou até tornar transparentes contratos obscuros.

Mas sem apontar o bom exemplo os  media discutem sobre se ela mentiu.

#2 O país tem um problema real crónico de nunca responsabilizar quem falha: Albuquerque não parou até responsabilizar quem falhou.

Mas sem perceber a diferença na ação, os media discutem sobre o que ela disse no mais irrelevante órgão de soberania, em que uma claque maioritária de deputados faz em bloco, há quase 40 anos, o que o primeiro-ministro que está, manda fazer.

#3 O país tem um problema real crónico de poupar sempre quem está no topo: Albuquerque não parou até o governo demitir inúmeros gestores de topo.

Mas sem apontar o bom exemplo, a exceção, os media discutem a semântica das suas declarações.

#4 O país tem um problema real crónico de acusar os dos outros partidos e poupar os do nosso: Albuquerque concorreu para a demissão de secretários de estado do governo do PSD.

Mas sem reconhecer o bom exemplo os media debatem o diz que disse.

#5 O país tem um problema real crónico de nunca questionar os lucros dos bancos: Albuquerque não parou até cortar os lucros dos bancos ou processá-los judicialmente como é o caso do espanhol Santander.

Mas em vez de apontar o bom exemplo discute-se sobre se ela mentiu.


Maria Luis Albuquerque mentiu? IV

Todos os contratos SWAP são maus? Não. Eu próprio tive à minha micoscópica escala um contrato de crédito que em vez de indexado à Euribor era um SWAP.

De que fala Albuquerque quando fala de contratos SWAP tóxicos? De contratos leoninos para os bancos, com um assimetria que permite aos bancos executar precocemente as suas vantagens, escritos de forma encriptada e fazendo referência a indexantes desconhecidos para o estado no se u resultado  final.

O levantamento destas situações de risco foi passado pelo PS ao novo Governo?

Esta é a questão. Albuquerque diz que não.

Cronologia em (construção):

15 Outubro 2008: Auditoria da Inspeção Geral de Finanças (IGF) deteta problemas na política de endividamento de risco nas empresas públicas, sob a égide do governo de Sócrates. 

21 Janeiro 2009: Novo alerta da IGF sobre a política de aquisição de passivo oneroso por parte das empresas públicas.

2009 - 2011: Os contratos SWAP tóxicos proliferam.

23 Março 2011: Governo de Sócrates demite-se. Isto inclui Costa Pina que fica pois a saber que será substituído no cargo e deverá apresentar ao seu substituto uma pasta de transição com os problemas pendentes.

3 Maio : Apresentado o Memorando de Entendimento. Sócrates e quejandos comprometem-se com a Troika a entregar relatório sobre o endividamento das empresas públicas, o que inclui por definição os SWAP tóxicos.

17 Maio: Formalmente assinado o memorando de entendimento.

5 Junho : Sócrates perde as eleições (PS 28% e PSD + CDS 50%). Costa Pina sabe que a direita ganhou o poder.

9 Junho: Costa Pina dá ordem às empresas públicas para enviarem à Direção Geral do Tesouro informação detalhada sobre os contratos SWAP que fizeram.

Meados de Junho: Tomada de posse de Gaspar. Na reunião de passagem da pasta de transição Teixeira dos Santos terá mencionado os contratos SWAP - não podia ter deixado de o fazer porque a troika que não gosta de truques, mandou acabar com a desorçamentação Socrática e exigiu, logo em Maio,  um relatório escrito sobre o assunto.
O que importa saber é se Teixeira avisou Gaspar de que existia um problema com SWAPs tóxicos, como era sua estrita obrigação saber e comunicar. Ou se se limitou a usar meia verdade para omitir o problema, dizendo uma coisa do género em passant "mandei fazer um levantamento sobre o passivo oneroso da empresas públicas e estou preocupado com o volume desse passivo".

27 Junho : Posse de Albuquerque como membro do Governo.

28 Junho : Reunião entre Costa Pina e Albuquerque com a pasta de transição.
28 Junho : 1º mail de Pedro Felício com escassa informação sobre os SWAP.
Albuquerque fica intrigada com opacidade do caso e exige mais e mais informação não aceitando como boa a escassa e genérica que se pretende descrever o problema.
19 Julho  : 2º mail de Pedro Felício com mais informação sobre os SWAP.
26 Julho  : 3º mail de Pedro Felício com mais informação sobre os SWAP.
1 Agosto : 4º mail de Pedro Felício com mais informação sobre os SWAP, ainda muito incompleta.

A Secretária de Estado, por não ter recebido a informação necessária ao diagnóstico do real risco para o Estado, desencadeia outros mecanismos, nomeadamente recorrendo a consultores externos, para poder decidir qual a estratégia a seguir.

A banca dá a conhecer a Albuquerque que assinou contratos que lhe permitem executar a qualquer momento as mais valias que os contratos SWAP lhe fornecem contra o Estado.

Albuquerque dá ordem para ninguém pagar nada sem a sua aprovação.

Coisa rara em Portugal, Governe demite os gestores de topo e todos os membros do proprio governo que tenham sido responsáveis por operações de financiamento tóxicas.

A propósito de um ramalhete de dois aldrabões fracos, um aldrabão forte e um extremista que acabei de ver num programa televisivo, em que uma certa direita pede desculpa por ser quem é e em que em uníssono se declara Albuquerque como mentirosa, vou tentar - tenha tempo - fazer o levantamento cronológico dos factos.

Uma coisa é desde já certa: à data da Reunião entre Costa Pina, o Socrático, e Albuquerque (28 de Junho) NÃO é possível que os dados que Pedro Felício entrega a 1 de Agosto, tenham sido passados por Costa Pina pelo simples facto de que 28 de Junho ANTECEDE 1 de Agosto. Aliás a 1 de Agosto os dados na mão de Albuquerque não permitem perceber os dois riscos fulcrais para o Estado  - a possibilidade contratual que os bancos têm de executar unilateralmente muitos contratos e o facto de outros tantos terem sido redigidos de forma virtualmente ilegível.

Segunda coisa que tomo como certa: num país que tem uma população que é metade da das maiores cidades do mundo, os Costas Pinas e, a bem dizer, toda a gente do foro, sabem das coisas que se passam dentro das lojas que governam  antes da data em que são passadas a papel.

sábado, 27 de julho de 2013

Morais Sarmento e Marques Mendes claudicaram. Pacheco é um caso perdido. Falta Marcelo.

Dois comentadores da área do PSD, falaram do seu púlpito nacional sobre a questão dos SWAP tóxicos e de Maria Luis Albuquerque.

Em ambos os casos, os jornalistas disseram que ela sabia pela voz do governo anterior o que se passava nos SWAP tóxicos e deram a entender que mentira.

Questionados, Sarmento quer Mendes fugiram dos factos.

Mendes esteve melhor ao salientar que o governo anterior é que criou o problema e que o secretário de estado e o diretor do tesouro que nada fizeram para resolver o assunto, não deviam ter vindo, como sonsos, criticar a lentidão com que Albuquerque resolveu o problema que eles próprios criaram.

Mendes ainda passou brevemente sobre a verdade dizendo que Albuquerque não tinha mentido strictus sensus.

Com medo de serem acusados de partidarismo nenhum teve a coragem de dizer a verdade.

A verdade, tanto quanto se sabe hoje, é que Albuquerque não mentiu, nem strictu nem lato sensus.

Strictus sensus Albuquerque disse que na pasta de transição entre governos o assunto não foi passado como o problema que é. A estratégia típica dos burlões é usarem meia verdade para venderem a mentira que lhes dá vantagem e dou pouco valor a que Costa Pina ou Teixeira dos Santos tenha ou não referido que havia nas empresas públicas contratos SWAP que mereciam um segundo olhar. Tudo nas empresas públicas precisava de um segundo olhar. Ela falou da PASTA DE TRANSIÇÃO e não de conversas en passage (de que eventualmente podia não ter tido conhecimento) entre Teixeira e Gaspar.

Passar os assuntos do ministério numa pasta escrita e organizada é uma obrigação básica de qualquer governante. Conversas de corredor têm-se sobre futebol.

Se há dúvida sobre o conteúdo da pasta de transmissão, a Comissão que peça a dita.

Lato sensus Albuquerque também não mentiu. Foi Albuquerque que, tendo obrigações de report para com a troika e tendo tido dicas a partir de bancos de que haviam cláusulas graves, lançou uma investigação para saber a verdade. Como resposta à inquirição de Albuquerque, o PS foi cedendo a conta-gotas. Nunca o PS tomou a iniciativa de dizer: criámos este problema com esta dimensão e não sabemos como o resolver.

Albuquerque não foi informada - conseguiu, a pulso, facto após facto, confessado mail após mail que o PS levantasse a ponta do véu do que fora feito durante o seu governo nas empresas públicas.

A vantagem do PS em mentir, o seu racional, foi já analisado num post anterior.

Lato sensus as informações ainda assim dadas, não continham a alma do negócio, o verdadeiro problema e que consistia na possibilidade contratualmente garantida pelo PS aos bancos de que estes, a qualquer momento e a seu belprazer, podiam converter em dinheiro as vantagens contratuais cedidas pelos socialistas, tramando o estado em milhares de  milhões.

Dou 9 valores a Sarmento e 12 valores a Mendes.

Falta Marcelo.

Perceber o que Poiares Maduro parece não perceber

Poiares Maduro declarou que não é fácil dizer aos negociadores da troika que o programa de austeridade falhou, que há uma fadiga de austeridade e necessitamos de melhores condições.

Diz de seguida que melhores condições - mais tempo e a aceitação de mais déficite - representam sempre mais dívida que depois teremos de pagar.

É difícil aceitar que uma pessoa que é ministro se recuse a perceber o que dizem os detratores do atual programa.

Eu vou tentar explicar-lhe:

#1 Há economistas - muitos do PSD - que dizem que o excesso de austeridade aumenta a dívida. Imaginemos que por excesso de paixão pela via da austeridade o governo retira num ano 5.000 milhões da economia e a recessão provocada leva a uma diminuição da receita e a um incremento de despesa nas áreas sociais de, suponhamos, 4.000 milhões. Toda a operação rende 1.000 milhões ao governo e empobrece o país em dose excessiva.  Caso o governo decidisse retirar apenas 2.500 milhões e essa fosse a dose certa, a perda por recessão e incremento da despesa social seria apenas de 1.000 milhões, resultando num rendimento de 1.500 milhões ao governo. 1500 é mais que 1.000. Esta é a tese.

Em resumo, o excesso de austeridade é pior para a dívida que a dose certa de austeridade.

É difícil saber qual é a dose certa de austeridade mas não é difícil perceber o argumento de que diminuir a austeridade não é o mesmo que aumentar a dívida. Um ministro devia conseguir perceber este argumento e responder-lhe caso discordasse.

#2 A operação de financiamento da economia portuguesa suscita prejuízo a alguns estados como Itália e lucro a outros como a Alemanha. Não é difícil perceber o argumento que que a Alemanha não deve obter grande lucro liquido com esta operação e deve baixar os juros do que nos empresta para pelo menos 0%. Mesmo assim teria lucro.

#3 Os fundos europeus deveriam, a título excepcional e durante um período limitado de tempo - por exemplo 5 anos - poder ser usados para financiar investimento à economia portuguesa sem contrapartida do nosso lado: ou seja deveriam poder haver programas 100% financiados pelos fundos europeus, evitando a sua não utilização por falta de verbas locais.

#4 Países do centro europeu podiam investir direta ou indiretamente em Portugal caso se identificassem setores que fossem úteis às suas próprias economias. É o caso óbvio do investimento no complexo ferro-portuário de Sines benéfico para a economia Europeia como um todo.

Etc, etc.

Poiares Maduro ou não percebe os argumentos dos detratores do programa ou finge que não percebe.
Ambas as posturas resultam no mesmo.