sábado, 27 de julho de 2013

Perceber o que Poiares Maduro parece não perceber

Poiares Maduro declarou que não é fácil dizer aos negociadores da troika que o programa de austeridade falhou, que há uma fadiga de austeridade e necessitamos de melhores condições.

Diz de seguida que melhores condições - mais tempo e a aceitação de mais déficite - representam sempre mais dívida que depois teremos de pagar.

É difícil aceitar que uma pessoa que é ministro se recuse a perceber o que dizem os detratores do atual programa.

Eu vou tentar explicar-lhe:

#1 Há economistas - muitos do PSD - que dizem que o excesso de austeridade aumenta a dívida. Imaginemos que por excesso de paixão pela via da austeridade o governo retira num ano 5.000 milhões da economia e a recessão provocada leva a uma diminuição da receita e a um incremento de despesa nas áreas sociais de, suponhamos, 4.000 milhões. Toda a operação rende 1.000 milhões ao governo e empobrece o país em dose excessiva.  Caso o governo decidisse retirar apenas 2.500 milhões e essa fosse a dose certa, a perda por recessão e incremento da despesa social seria apenas de 1.000 milhões, resultando num rendimento de 1.500 milhões ao governo. 1500 é mais que 1.000. Esta é a tese.

Em resumo, o excesso de austeridade é pior para a dívida que a dose certa de austeridade.

É difícil saber qual é a dose certa de austeridade mas não é difícil perceber o argumento de que diminuir a austeridade não é o mesmo que aumentar a dívida. Um ministro devia conseguir perceber este argumento e responder-lhe caso discordasse.

#2 A operação de financiamento da economia portuguesa suscita prejuízo a alguns estados como Itália e lucro a outros como a Alemanha. Não é difícil perceber o argumento que que a Alemanha não deve obter grande lucro liquido com esta operação e deve baixar os juros do que nos empresta para pelo menos 0%. Mesmo assim teria lucro.

#3 Os fundos europeus deveriam, a título excepcional e durante um período limitado de tempo - por exemplo 5 anos - poder ser usados para financiar investimento à economia portuguesa sem contrapartida do nosso lado: ou seja deveriam poder haver programas 100% financiados pelos fundos europeus, evitando a sua não utilização por falta de verbas locais.

#4 Países do centro europeu podiam investir direta ou indiretamente em Portugal caso se identificassem setores que fossem úteis às suas próprias economias. É o caso óbvio do investimento no complexo ferro-portuário de Sines benéfico para a economia Europeia como um todo.

Etc, etc.

Poiares Maduro ou não percebe os argumentos dos detratores do programa ou finge que não percebe.
Ambas as posturas resultam no mesmo.

Passos aplaudido em Pombal - mais uma tenebrosa ação dos do sindicato do governo

Depois do aplauso nos Jerónimos, Passos Coelho foi aplaudido em Pombal.

Pacheco Pereira terá de explicar mais esta ação do sindicato do governo.

Esperamos com ansiedade as suas explicações.

Ideias para Portas II

Portas deve investir o que for necessário, usando os lobbies que forem necessários, para influenciar a imprensa alemã.

Vender a imagem certa de Portugal na imprensa alemã é um projeto a médio prazo cuja importância não deve ser minimizada.

Ideias para Portas I

Portas deve pedir para ser recebido com urgência por Lagarde.

Caso a senhora aceite recebê-lo, deve usar de todas as influências que tenha na imprensa internacional para que se saiba ao que vai.

Se a senhora mantiver em privado alguma coisa do que diz em público, Portas deve sublinha-lo e pedir uma audiência a Barroso.

Devidamente pressionado, no seu último mandato e com ambições presidenciais, Barroso terá dificuldade em deixar de anuir que o programa para Portugal deve ser alterado.

Para o fim fica Draghi, um osso mais difícil de roer e em que a estratégia a seguir depende muito de insider information que não possuo. Nomeadamente da sua postura real em relação aos alemães.

Seja como for Draghi estará já em minoria.

Soares lê e aprende com o Supraciliar. Bom para Soares, mau para Seguro.

Escrevi que uma semana que fosse de negociações com o Governo às ordens do Presidente e Seguro estaria morto, a não ser que saísse das negociações com grande estardalhaço.

Seguro, leitor atento do Supraciliar, interrompeu as negociações ao sexto dia.

Mas como entende menos do que lê, não saiu com o necessário estardalhaço.

Soares - também ele assinante e assíduo leitor deste pasquim - percebeu tudo pois apesar de velho ainda é fino.

Agarra-se agora, ao facto de Seguro ter saído das negociações para um compromisso de salvação nacional com pouco barulho, acusando-o numa entrevista ao jornal i de ter anunciado a saída com um discurso brando.

O Velho Soba deixou de achar graça ao Anão.

Mau para o anão.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Maria Luis Albuquerque mentiu? III



Porque razão poderia ser benéfico ao grupo de Sócrates omitir o problema dos SWAP tóxicos na sua real dimensão da pasta de transição?

Porque ganhariam em ir fornecendo informação a conta gotas, após a transição de poder, de forma incompleta e desestruturada e nunca formal e fundamentadamente na pasta de transição?

Seria porque Sócrates empurrava para debaixo do tapete, sempre que podia, as dívidas que tinha contraído e esperava fossem os nossos filhos e netos a pagar?

Será porque Passos ficaria com mais exemplos do famoso desvio colossal que encontrou, à medida que Gaspar e Albuquerque iam descobrindo detalhes da grande burla socrática?

Será porque assim seria mais fácil Gaspar explicar ao país porque é que este iria perder boa parte do 13º mês de 2011?

Alguém ainda se lembra desses tempos? Do desvio colossal?

Maria Luis Albuquerque mentiu? II

Albuquerque disse que "na pasta de transição nada constava sobre o tema" (dos contratos swap) e que "não havia qualquer documentação, nem nada de novo a transmitir, porque a informação tinha sido solicitada e apenas isso".

Ou seja indignava-se que um buraco desta dimensão e risco tivesse sido criado e omitido da pasta de transição pelo governo de Sócrates, o Falso.

Parece que DEPOIS da passagem da pasta e APÓS INSISTÊNCIA DE ALBUQUERQUE ,  há informação que vai sendo dada por ex-governantes socratistas a prestações.

Maria Albuquerque mentiu? I

Investigou, esclareceu e reduziu um dos muitos buracos financeiros deixado pelo governo de Sócrates, o Falso, o dos SWAP tóxicos.

Sem destoar da esquizofrenia habitual da Assembleia da República, os responsáveis pelo buraco criticam Maria Luis Albuquerque por não ter sido célere a resolver o problema que eles criaram.

Terão razão pois é difícil acreditar que a Secretária de Estado tivesse quatro ou cinco assuntos entre mãos que valessem tanto ao país como valia tapar o buraco dos tóxicos socialistas. Não têm moral para o usar até reconhecerem a sua própria culpa na criação do problema.

O PS mata o pai e a mãe e depois chora publicamente porque o governo não compreende a dor dos órfãos.

Uma pergunta simples: se o PS diz que havia um problema criado por si próprio e que até avisou o Governo CDS / PSD que o problema que o PS criara era de grande monta, porque é que o criaram em primeiro lugar? Tendo-o criado e reconhecido que era grave porque não o resolveram?

Tendo-o criado, reconhecido como sendo um problema e não o tendo resolvido, com que cara de sonsos é que vêem agora fazer campanha contra quem descobriu o buraco socialista e o reduziu?

O erro de não recriminar o passado

Guterres iniciou aquela arte em que Sócrates se especializou de, estando no governo, se dedicar a ser oposição à oposição.

Aqui conseguiu, ao estar constantemente ao ataque, diminuir a capacidade de escrutínio do parlamento em relação ao governo do país.

No país real o governo dominava avassaladoramente o Estado e a economia privada que orbita o Estado.

No país comunicacional dois grupos de partidos - o PS e o PSD / CDS - degladiavam-se e opunham-se como se não houvesse governo mas apenas duas oposições mútuas.

A falta de seriedade desta postura é auto-explicativa e não perderei agora tempo com isso.

Perderei tempo a recordar uma coisa que ocorreu durante 18 meses neste governo: a tentativa que parece esboroar-se de não usar o passado para justificar as responsabilidades do presente. Pensou-se que culpar a herança seria uma forma de desculpabilização, antagónica duma certa vontade de rigor, de autonomia adulta e assunção frontal das decisões que se tomam.

Isto pareceria bem se na oposição não tivéssemos um Partido Socialista com um nível de desonestidade intelectual cima do aceitável.

Os pirómanos que destruíram o país em 15 anos de governo quase contínuo, aparecem agora com uma vergonhosa cara de pau a criticar os bombeiros.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

"Obviamente NÃO o demito"; Passos - um animal político?


Certas pessoas como Fontes, Salazar, Soares, Sá Carneiro ou Portas têm uma inteligência emocional que lhes permite sintonizar-se com uma parte do sentimento dos restantes portugueses, numa dose que ultrapassa o que a razão pode oferecer.

O facto de Sá Carneiro e Portas não terem obra política de relevo, não altera a evidencia que existe de que são animais políticos.

O gesto de Passos - as suas  famosas frases "Fico" e, principalmente, "Obviamente NÃO o demito" - não o permitem classificar ainda, nem de perto, como um animal político.

Mas o curso dos acontecimentos suscita aquele tipo de perplexidade que antecede o reconhecimento dessas aves raras. 

No post anterior acrescentei argumentos que apontam nesse sentido.

Claro que existem coincidencias, acasos, "serendipities".

É provável estejamos perante uma. É possível que não.

Em defesa de Passos Coelho

Alguns, em que me incluo, talvez tenham substimado Passos Coelho.

Não é certo que seja verdade a história que vou contar, mas é possível.

Numa certa altura todos os comentadores políticos, incluindo Marcelo e Marques Mendes, afirmavam que Passos devia remodelar o Governo e remodelá-lo em larga escala.

Passos recusou, enquanto o governo se afundava.

Se o tivesse feito na altura em que todos clamavam por ela, teria morrido nesta crise.

O instinto político de Passos disse-lhe que a bomba relógio do desacerto entre o seu PSD e a aliança Portas / o outro PSD se manteria viva mesmo após essa remodelação.

Uma remodelação profunda é uma oportunidade única e seria estoirada em vão enquanto o quisto da divisão entre o PSD I e a aliança PSD II / CDS, não estivesse maduro para ser drenado.

Quando Portas, um animal político, teve o vaipe emocional de dizer basta, se demitiu de MNE e se preparou para abandonar a liderança do CDS, caso fosse necessário, Passos percebeu que o quisto estava mais que maduro: Tinha drenado expontaneamente e dava-lhe a oportunidade para a grande remodelação.

Foi um caminho no fio da navalha. Foi um caminho que sós os líderes conseguem percorrer.

Seguro está talvez impreparado. Digo eu.

O valor de zero é menor à esquerda que à direita. É uma assimetria conhecida.

Ora Seguro não atentou neste problema quando propôs, em Paris, que a União Europeia estabeleça como objetivo que, em 2020, não existam países com uma taxa de desemprego superior à média europeia.

Isto implicaria, por necessidade matemática, que não houvesse nenhum país abaixo da média, não é? Se a média for 7 e não puder haver nenhum valor acima de 7, então também não pode nunca ocorrer 7 + 7  + ...+ 7 + 7 + 3, pois aqui a média nunca é igual a ... 7, pois não?

TóZero propõe assim, também,  que nenhum país pode ter um desemprego inferior à média europeia.

Como dizia Clinton, para governar é preciso saber um pouco de aritmética, de  básica e boa aritmética.

Seguro propõe, conclui-se, como objectivo para 2020 que os 28 países da UE, da Alemanha a Chipre, tenham todos EXATAMENTE a mesma taxa de desemprego. Uma impossibilidade mais física que social e económica como todos sabemos.

Não tendo ninguém o dom da infalibilidade, TóZero devia pensar na assimetria supracitada: Ser  Zero à esquerda não é bom.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Rui Machete e a Fundação Luso-Americana

Os embaixadores americanos enervaram-se com Rui Machete porque este gostava da sumptuosidade e gastava boa parte do dinheiro em despesas de funcionamento interno, sobrando pouco para as atividades de desenvolvimento que eram, afinal, o objectivo da fundação.

É de estranhar a estranheza dos estranhados.

Se os americanos tivessem um contacto mais intimo com a cultura portuguesa perceberiam que grande parte das fundações e outras grandes obras que vivem do estado, são assim. Ficou famosa a ideia da administração da Casa da Música no Porto de pagar a preço de ouro uma alteração ao projeto inicial para incluir entre outras sinecuras um elevador exclusivo para os Srs. Administradores. Tudo com dinheiro dos contribuintes, ou seja, do povo que pagava e era excluído do dito elevador.

Assim, Machete elevou-se à aparência de Grande Senhor por mera necessidade. Se não o fizesse seria Ninguém aos olhos dos Grandes Senhores.

Mário Soares tem mil e uma estórias dessas que poucos se atrevem a contar por ser politicamente incorreto. Politicamente mais que incorreto, politicamente ostracisante (para o contador, é óbvio).

O Ministro da Saúde é outro exemplo de arrogância desproporcional à competência, dizendo-se que disse a quem o quis ouvir, caso não me tenha traído a memória, que tinha aceite ser ministro por caridade. Teria a vida organizada e podia assim dar-se a esse luxo. Parte dessa organização ocorreu quando ganhou alguma coisa como 23.000 euros por mês, para ser o cobrador-mor dos impostos cá do sitio. Diz que o banco que lhe pagava uma ainda mais linda soma, à data da sua ida para o ministério, está, a julgar pelo seu valor bolsista e pelo rating que lhe é atribuído, a valer pouco mais que lixo dourado.

Gatos gordos numa expressão de Obama.

Devemos, é certo, propôr-nos exigir mais ocidentalismo e menos arrogância a Rui Machete no passado.

Se o fizermos teremos de o fazer a toda a gente que machetou com igual vigor, igualmente no passado.

Por mim agradava-me em dose suficiente que o fizessemos em relação ao futuro.

Em defesa de Paulo Portas II

Lendo o post anterior (em defesa de Paulo Portas I), é fácil perceber porque é que num governo socialista 3 submarinos como Guterres programou, eram apenas 3 brinquedos caros e num governo com Portas a ministro, 2 submarinos servem para defender os interesses nacionais.

Em defesa de Paulo Portas I


"On November 13, 2002, while the Prestige was carrying a 77,033 metric tons cargo of two different grades of heavy fuel oil, one of its twelve tanks burst during a storm off Galicia, in northwestern Spain. Fearing that the ship would sink, the captain called for help from Spanish rescue workers, with the expectation that the vessel would be brought into harbour. However, pressure from local authorities forced the captain to steer the embattled ship away from the coast and head northwest. Reportedly after pressure from the French government, the vessel was once again forced to change its course and head southwards into Portuguese waters in order to avoid endangering France's southern coast. Fearing for its own shore, the Portuguese authorities promptly ordered its navy to intercept the ailing vessel and prevent it from approaching further."

Agora... quem era o Ministro da Defesa da altura que não se vergou a Franceses e Espanhois ?


Não - a palavra mais importante da língua portuguesa.

(POST REPUBLICADO)

Eleições autárquicas 2009 - resultados eleitorais

2009:

PSD + CDS = 40%

PS = 38%

Cerca de.

O PS e as autárquicas

Durante a campanha eleitoral para o poder local o BE, o PCP, os pequenos partidos e o PS pedirão que as pessoas votem contra o governo. Infelizmente para os últimos esse tema foi esgotado precocemente pelos socialistas e anulado pelo Presidente com o compromisso de salvação nacional;  por isso a sua eficácia é agora reduzida.

Esse esgotamento do argumento fará com que os resultados da coligação melhorem.

Assim, depois da esquerda andar, durante a campanha que se avizinha, diariamente a chorar por eleições antecipadas, transformando um assunto predominantemente local num assunto exclusivamente nacional, um resultado nas autárquicas acima de 30% para a coligação e esta tem apenas uma pequena derrota.

Acima de 35% para a coligação e o Seguro estará gravemente abalado e a partir dos 40% tem morte súbita.

E quanto maior a abstenção, pior fica politicamente o PS pois significa que ninguém confia no PS para depositar um voto de protesto.

Antecipo as que autárquicas não deverão ser uma catástrofe para o PSD / CDS.

Mas podem ser uma catástrofe para Seguro.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Querida encolhi o PS

Com o fulgor do novo Governo que se origina num processo que expliquei em múltiplos posts, o PS começou a mirrar.

Que se prepara para dizer Seguro, o Anão, ao país?  exigimos eleições antecipadas ?

Cavaco e Rui Machete

A entrada de Rui Machete no Governo alarga a credibilidade do Governo. Trata-se de um peso pesado do PSD e uma pessoa duma geração anterior à atual.

Por outro lado Rui Machete é tido por alguns como próximo de Cavaco enquanto outros recordam que foi muito crítico para o PR recentemente.

Dada a sua trajetória política Machete terá contudo alguma facilidade em concretizar um desejo de Cavaco: a capacidade do Governo negociar com o PS. Machete, recordamos foi, durante escasso tempo é certo mas ainda assim significativamente, vice-primeiro ministro do governo do bloco central.

Esta novidade reforça a ideia de que se trata não de uma banal remodelação mas de um novo governo de Passos Coelho.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Entender a moção de confiança IV

Continuação:

Cavaco entregou no regaço do novo governo, formado após a queda do anterior pela demissão irrevogável de Portas,  os parceiros sociais e o Banco de Portugal.

Esta última condição é contrária ao espirito da lei mas o estado de emergência levou Cavaco a essa excepcionalidade.

Pelo caminho decapitou o PS, levando à demissão de Seguro.

Como Seguro é um homem simples ainda não percebeu que foi demitido.

O novo líder do PS decidiu esperar pelas autárquicas e pelo novo orçamento de 2014 para tomar conta do PS.

O novo líder ainda não decidiu se espera pelas legislativas de 2015, ou se toma o lugar, atualmente em gestão corrente, antes disso.

O novo líder do PS decidiu sufragar-se nas urnas em Lisboa. Nesse sufrágio terá a maior vitória do PS nas autárquicas, contrastando com o que acontecerá com o PS na única outra capital que temos - o Porto.

Apesar de saber que Cavaco, com a indigitação de Passos para um novo governo às portas das autárquicas, tornou esse governo imune ao resultado das autárquicas, o novo líder do PS propõe-se a tarefa que Sampaio já havia logrado conseguir: dar-se ao Galicismo de tomar a capital em grande, a partir da câmara municipal.

Contudo o novo líder decidiu imitar Sá Carneiro em vez de Sampaio, usando Helena Roseta à escala local do mesmo modo que Carneiro usara Medeiros Ferreira à escala nacional.

Quem não percebeu isto não percebeu nada.

O autor do texto que irritou o Joaquim evidentemente não percebeu isto. Temos de ter paciência com esta gente, Joaquim. Pessoa explicou que esta gente está para ficar.

Entender a moção de confiança III

Continuação:

Após a queda do primeiro governo de Passos como consequência da demissão irrevogável de Portas, Pedro Passos Coelho foi indigitado pelo PR para formar novo governo. Como esse governo não conseguiu incluir o PS, por culpa do PS, Cavaco aceitou que se mantivesse apenas com dois partidos mas fez exigências que ainda se encontram no recato do palácio de Belém.

Como em política o que parece é será dentro de algum tempo visível que exigências foram essas (a não ser que o novo governo também caia).

O novo Governo apresentará o seu programa à Assembleia da República em breve.

A sua aprovação, como todo o processo da criação do novo governo, saltará passos formais porque a crise que o país vive impede as delongas desses passos. Ainda assim Cavaco exigiu um passo formal mínimo: a aprovação de uma moção de confiança na AR.

Em todo este processo Cavaco deu novo fôlego à aliança e depositou no seu regaço os parceiros sociais.

Quem não percebeu isto, não percebeu nada.

(continua)

Entender a moção de confiança II


Continuação:

Voltando ao texto que o Palavrossaurus II caustica hoje , e bem, recordo que após a queda do primeiro governo de Passos como consequência da demissão irrevogável de Portas, Cavaco o indigitou para formar novo Governo.

Cavaco Silva ouviu um conselho de estado para a economia e convocou os partidos e os parceiros sociais.

Passos reuniu-se com Portas, reformularam de alto a baixo a coligação e propuseram novo governo a Cavaco.

Cavaco recusou o governo proposto por Passos e exigiu que se esforçasse para conseguir uma grande coligação de salvação nacional que incluísse um acordo de incidência parlamentar com o PS agora e com o PSD e CDS a partir de 2014 / 2015 quando o PS estivesse no governo.

Passos, Portas e Seguro reuniram-se e estavam a um milímetro de chegar a acordo.

Soares, Alegre e Sócrates tiveram acesso (ilegitimamente?) às negociações e à cedência de Seguro.

Tentaram travar Seguro dentro do PS mas não conseguiram.

Depois disso, lançaram uma campanha pública em que ameaçavam Seguro de fazer ao PS, o que Eanes lhe fizera no passado: rachá-lo em dois.

Seguro cedeu e saiu das negociações.

Cavaco avaliou positivamente o esforço negocial de Passos e aceitou um governo com apenas dois partidos desde que cumprissem determinadas condições.

(continua)

Entender a moção de confiança

O  Palavrossaurus Rex  faz hoje alusão a um texto medíocre publicado num jornal de referência.

Não é um texto particularmente ofensivo, é um texto habitual.

Esse é o principal problema - a obtusidade é normal.

Não vou perder demasiado tempo com ele, mas a propósito dele vou recordar alguns momentos dos últimos 20 dias.

Paulo Portas cometeu o erro de usar a expressão irrevogável ao demitir-se do cargo de MNE mas é inteiramente verdade que se demitiu e sairá.

Pedro Passos Coelho teve a frieza lúcida de dizer que não aceitava a saída direta de Paulo Portas do Governo.

Pagou por isso o preço da queda do governo, única forma de conciliar a saída de Portas e a manutenção da coligação.

Paulo Portas saiu do Governo e sua saída provocou a queda do governo.

Cavaco Silva, perante a queda do Governo, indigitou Passos para formar um novo governo.

(continua)

Juros a cair e bolsa a subir

Depois da decisão de Cavaco, de manter Passos como primeiro-ministro, os mais rápidos respondedores económicos - a bolsa nacional e o mercado de crédito - passaram de indicadores maus a menos maus.

Melhor assim.

domingo, 21 de julho de 2013

Eanes versus Soares / Sampaio / Cavaco

Mais do que a constituição é a ação concreta do PR que determina a sua capacidade de influenciar o processo político.

O presidente que mais perto esteve de revolucionar o xadrez político foi Ramalho Eanes, usando uma estratégia tão simples quanto independente da letra da constituição da República: a criação de um partido político.

Para isso concorreram vários fatores mas um deles é subestimado por uma sociedade formalista que não compreende que a verdadeira natureza do poder político é limitada e interage doutras formas com a lei mas não é determinada diretamente por ela.

Um desses fatores é biológico: a idade. Eanes foi o único presidente jovem da democracia. Dois dos outros eram de meia idade e um - Cavaco - idoso.

Para quem tem a superficialidade politicamente correta de pensar que num ser biológico como o homem  a biologia não conta proponho-lhes um exercício: imaginem que Cavaco tinha 41 anos (como Eanes quando se tornou presidente).

Alguém visualiza Portas ou Passos a lidar com um Cavaco de 40 anos, uma vida de estado pela frente e a sua apetência pela obra e não pela palavra, portando-se como se portaram?

Alguém crê que pessoas na quarta idade como Soares teriam alguma relevância que ultrapassasse a que as figuras já históricas têm? Que Seguro os temeria quando tinha que temer Cavaco?

Mensagem de Cavaco II

Apesar da falta de clareza com que os políticos em geral e Cavaco em particular, falam e que não dispensa que a seguir a uma intervenção sua, surja uma mole de tradutores que se propõem transformar em português padrão aquilo que acabou de ser dito, desta vez Cavaco foi um pouco mais claro.

Nada mal e seguramente muito melhor do que o prolixo Sampaio, capaz de falar durante uma hora para tentar dizer que faz mais calor ao sol que à sombra.

É claro que uma nação que atravessa a crise que atravessamos, em que a ameaça de colapso é verdadeira, teria a ganhar com maior liderança nos grandes objetivos, por parte duma presidência legitimada por sufrágio direto e que é acompanhada por um governo fragilizado.

Esta crise mostrou bem que não é necessário mudar a constituição para o Presidente ter um papel bem maior que o minimalista que tradicionalmente assume.

Ao invés do que muitos pretendem, o facto de três dos presidentes terem lançado a bomba atómica (sim Cavaco lançou-a, limitando-se a, por ora, não puxar a cavilha) e do outro - Ramalho Eanes - ter criado um partido político, demonstra à saciedade que a questão do papel da PR num regime semi-presidencialista é mais uma questão de vontade do que uma questão de meios.

Mensagem de Cavaco I

Habituados à inabilidade, habituados à superficialidade e habituados à falta de postura estadista não é necessário muito para aprovarmos uma intervenção presidencial.

Cavaco teve hoje uma intervenção normal e isso impressiona dada a baixa expectativa.

Disse que o recente exercício negocial dos partidos que representam 90% da AR, das confederações patronais e da UGT, o governo remodelado e uma moção de confiança modificam a situação política anterior e dão condições para uma segunda metade da legislatura melhor conseguida que a primeira.

Apontou discretíssimos objectivos políticos - o que foi bem mais do que é habitual.

Manteve a ameaça de dissolução no ar, na usual forma opaca, ao salientar que mantém os seus poderes intocados.

Escutas ilegais no PS - texto do discurso de denúncia por parte de Seguro, o anão.


Apresentamos o discurso que Seguro se prepara para fazer para denunciar as escutas ilegais detetadas na sede do PS:

"PORTUGUESES:

1. Após as  campanha eleitoral negociações para o compromisso de salvação nacional foram produzidas  declarações e notícias sobre escutas e espiões, ligando-as ao nome do Presidente da República Secretário Geral do PS e, no entanto, não existe em nenhuma declaração ou escrito do Secretário Geral qualquer referência a escutas ou a algo com significado semelhante, a não ser as que mandei fazer para os jornais.
Desafio qualquer um a verificar o que acabo de dizer, estando disponível até para apostar.
E tudo isto sendo sabido que o Secretário Geral é um órgão unipessoal e que só o secretário fala em nome dele ou então os fundadores, dinossauros, socratistas e pessoas com brinco os seus chefes da Casa Civil ou da Casa Militar.

2. Porquê e que sociedades secretas urdiram toda aquela manipulação?
Transmito-vos, a título excepcional, e só se prometerdes não gravar em cassetes, porque as circunstâncias o exigem, uma ideia que me ocorreu para a interpretação dos factos.
Outros poderão pensar de forma diferente. Mas os portugueses têm o direito de saber a ideia que teve o  Secretário Geral Presidente da República.
Durante o mês de Julho Agosto, na minha casa em Lisboa no Algarve, quando dedicava boa parte do meu tempo à análise das atas da negociação diplomas que tinha levado comigo para efeito de as dissimular com documentos escritos que dissessem o contrário do que acontecia nas reuniões com o PSD e o CDS promulgação, fui surpreendido com declarações de destacadas personalidades da esquerda, exigindo ao Sr.  Secretário Geral Presidente da República que interrompesse o merecido recato a que se dedicara férias e viesse falar sobre a participação de membros da sua equipa casa civil na elaboração do programa para o compromisso de salvação do governo do PSD (o que, de acordo com a informação que me foi prestada – e perguntei duas vezes para me certificar - era uma invenção da direita pois eu nunca negociei nada e bati-me sempre pelo povo e os amigos do PS).
E não tenho conhecimento de que no tempo dos secretários gerais  presidentes que me antecederam no cargo, alguma vez os tenham incomodado nos seus fins-de-semana ou que os membros das respectivas equipas casas civis tenham sido limitados na sua liberdade cívica, incluindo contactos, negociações, negócios e negociatas das fações partidos a que pertenciam.
Considerei graves aquelas declarações, assim um tipo de ultimato dirigido ao Sr. Secretário Geral Presidente.

3. A leitura pessoal que fiz à bocado dessas declarações foi a seguinte (normalmente não demoro  quase nenhum tempo, a fazer saber a toda a gente a leitura pessoal que calha fazer de declarações de outros políticos mas, nas presentes circunstâncias, fui forçado a abrir uma excepção e esperei alguns minutos).
Pretendia-se, cá para  mim, alcançar dois objectivos com aquelas declarações:
Primeiro: Arrepanhar o Secretário Geral Presidente para a clarificação e transparência do que se passara nas negociações, encostando-o àqueles senhores apessoados do PPD e do CDS, apesar de todos saberem que eu, pela minha maneira de ser, sou, desde pequenino, particularmente rigoroso na confusão em relação a todas as ideias políticas e costumo voltar logo atrás, mal Mário Soares, o soba, ou Sócrates, o falso, dão a ordem.
Segundo: Desviar as atenções do debate pré-eleitoral autárquico para as recentrar nas questões que realmente preocupam os cidadãos e  pessoas, o que, como é sabido, não costuma interessar ao PS.
Foi esta a minha leitura e, nesse sentido, produzi uma declaração que já deu na televisão no dia 20 de Julho 28 de Agosto.

4. Muito do que será dito ou escrito envolvendo o meu nome próprio ou apelido, interpretá-lo-ei como visando aqueles dois objectivos.
Incluindo as interrogações que qualquer gajo pode fazer sobre como é que aqueles políticos e jornalistas saberiam dos passos dados por membros do PS da Casa Civil da Presidência da República – sim como é que saberiam? Não há fumo sem fogo e eu não sou ingénuo. Olha eu! que ando sempre a matutar nestas coisas, a escrevê-las no meu computador e perguntar ao Soares, o soba, e ao Sócrates,  falso, se acham bem.
Incluindo mesmo as informações que publicou um membro da minha equipa no site do PS Casa Civil , de que não tive conhecimento prévio, ou se tive quando fiz o discurso no Rato, entretanto passou-me, e que tenho ainda algumas dúvidas quanto ao significado e os termos das palavras caras,  aí usadas. 
Mas onde está o mal de alguém, a título pessoal, se alembrar de dissimular as razões que estão por trás das conversações políticas de outrem, apesar da versão oficial do site do PS.
Repito, cá para mim, pessoalmente, a verdade é que tudo não passava de tentativas de conseguir os dois objectivos que eu já disse: colar em sentido figurado o Sr. Secretário Geral ao PPD e CDS e desviar as atenções das pessoas para os problemas reais do país, tipo cortina de fumo, enfeite especial ou assim, no preciso momento em que quero ir para aquela coisa gira dos stand-up comedy, a que chamamos comícios.

5. E a mesma leitura fiz da publicação nos jornais diários, quer na página da frente quer noutras lá dentro, do que andei a fazer durante as negociações para o compromisso de salvação nacional.
Desconhecia totalmente a existência e o conteúdo das referidas negociações, feitas nas minhas costas, apesar dos meus assessores passarem muito tempo dentro das sedes dos partidos da direita e não conseguirem ir à sede do BE por causa de alergias e, pessoalmente, tenho sérias dúvidas quanto à ortografia das afirmações neles contidas. Mas juro pela saúde da minha falecida bisavó que não sei o que disseram os tipos da delegação do PS e ainda hei-de perguntar ao Justino para ele me explicar tudo num desenho.
Não conheço os membros da delegação do PS neles referidos, não sei com quem falaram estes dias, não sei o que viram ou ouviram durante as negociações, não sei quem é o David, e se disso fizeram ou não relatos a alguém como a minha pessoa e o PR.
Sobre mim próprio teriam pouco a relatar que eu sou um chato como o caraças, e por isso não atribuí qualquer importância às suas entradas e saídas do meu gabinete, à sua presença nas sedes dos partidos, apesar de me chatear pagar a conta da gasolina e dos almoços que eles andaram a comer.

6. A primeira interrogação que fiz a mim próprio, quando tive conhecimento da publicação do teor das negociações nos jornais (ainda por cima na página da frente para toda a gente ver) foi a seguinte: “porque é que é publicado agora, a escassos meses do acto eleitoral para as autárquicas, quando já passaram dois ou três dias da negociata”? Seria para lixar a minha carreira no partido? 
Liguei imediatamente no meu cérebro essas publicações aos objectivos visados pelas declarações produzidas por mim durante meses a fio, em que andei a dizer que o governo era da troika e o presidente estava feito com ele.
E, pessoalmente, confesso que não consigo ver bem adonde está o crime de um cidadão, mesmo que seja membro da direção do PS  staff da casa civil do Presidente, ter impulsos de desconfiança, suspeição, grãozinho debaixo da asa, pedra no sapato  ou de outro qualquer sentimento negativo em relação a atitudes de outras pessoas que queiram cumprir os compromissos internacionais do país.

7. Mas as noticias publicadas deixavam a dúvida na opinião pública, sobre se teria sido violada uma regra básica que vigora no PS desde sexta-feira: ninguém está autorizado a falar em nome do Secretário Geral Presidente da República, nomeadamente os membros da delegação do PS às negociações, até terem treinado comigo as historietas que vão inventar para fingir que nunca negociámos nada. Os únicos que podem falar são o Galamba, o Soares, o Manel Alegre, o Sócrates, o António Costa e qualquer gajo que tenha um cartão do PS. Isto, embora me tenha sido garantido que tal não aconteceu, eu não podia deixar que a dúvida permanecesse.
Foi por isso, e só por isso, que tive aquela ideia de proceder a alterações àquilo que disse ao Presidente da República sexta à tarde, quando ele me mandou ir a Belém, e correr para a televisão a dizer o que disse sem dar cavaco ao Cavaco.

Apesar de ser tudo falso, tudo uma manipulação pelos do governo, apesar do BE ser meu amigo há mais de 2 anos, lixei-o e corri pra os braços do PPD e do CDS durante nove reuniões, sem dizer água vai ao avô Soares e ao patrão Sócrates. Assim todos os cidadãos e pessoas viam logo que como eu gozei o Cavaco nas declarações de sexta às 20:00, é porque ele é que é o culpado de tudo. Se quiserem faço um boneco para explicar que os maus são do governo e eu por isso primeiro lixei o BE e o PCP, com grande pena minha que eu a mim tanto me faz, porque sou muito sério e só quero é ser primeiro-ministro e por isso hoje é que disse os meus pensamentos pessoais. Já expliquei tudo ao Galamba quatro vezes e ele já disse que sim que já percebeu e que eu agora não repita mais a ele e que diga na televisão mas sem fazer os desenhos que não faz falta.

8. A segunda interrogação que a publicação das referidas revelações, sobre como quase cheguei a acordo para o compromisso de salvação, me suscitaram foi a seguinte: “será possível alguém do exterior, por exemplo os do governo ou jornalistas ou até esquerdistas, entrarem no meu computador, sem me dizerem nada? Estará a informação confidencial contida nos computadores do PS suficientemente protegida? Tipo coisas que escrevo a rimar, os sites que visito e assim?”
Foi para esclarecer esta questão que ainda há bocado telefonei a várias entidades com responsabilidades na área da investigação criminal. Fiquei a saber que existem vulnerabilidades nos computadores e telemóveis do PS e pedi que se estudasse a forma de as reduzir oferecendo-me para pagar se fosse preciso.

9. Um Secretário Geral Presidente da República tem, às vezes, que enfrentar problemas bem difíceis, assistir a graves manipulações e urdiduras, mas tem que ser capaz de resistir, de se aguentar calado meia-hora se for preciso em nome do que considera ser o superior interesse eleitoral. Mesmo que isso possa causar custos pessoais aos dez milhões de portugueses. Para mim Portugal está primeiro, bem à frente dos interesses da direita, só ultrapassado pelos interesses do PS. E todos sabem como valorizo o PS, logo a seguir à minha pessoa.
O Secretário Geral  Presidente da República não cede a pressões, não faz comunicações tontas ao país, não interrompe o seu silencio, não se levanta da cadeira de baloiço, nem se deixa condicionar, seja por quem for e se alguém o tentar, lixa logo o BE e o país inteiro.
Foi por isso que entendi dever manter-me em silêncio durante a campanha pelo compromisso de salvação, tirando aquelas bocas que mandei off-record para a imprensa a dizer que os do governo estavam irredutíveis e, sexta-feira às 20:00, dizer na televisão que não negociei nada naqueles seis dias e mandar um mail ao Soares com letras muito grandes a dizer.
Agora, passadas as negociações, e porque considero que foram ultrapassados os limites do tolerável e da decência,  espero que os portugueses compreendam que fui forçado a fazer algo que não costumo fazer: partilhar convosco e com o BE, em público, a interpretação que me lembrei sobre este assunto que foi para a comunicação social durante vários dias sem que alguma vez a ela eu me tenha referido, directa ou indirectamente ou falado off-record. Já disse que foram só os mails para as redações a dizer que o governo estava irredutível e isso.
E sabendo todos que o Secretário Geral Presidência da República é um órgão unipessoal que sou eu e que, sobre as suas posições, só o Secretário Geral e todos os outros gajos que têm cartão de militante, se pronunciam.
Uma última palavra quero dirigir aos portugueses: podem estar certos de que, por maiores que sejam as dificuldades, estarei aqui para defender os superiores interesses do PS, lixar o BE, tramar Portugal e tomar as gotas."

sábado, 20 de julho de 2013

Quando a sombra da porca cheira mal

Pelos documentos disponibilizados, parece que o PSD concordou com a renegociação com a troika e propôs que o proponente da renegociação estivesse presente.

Governo e PS renegociariam com a troika e aceitariam o resultado da renegociação.

Ora aqui é que porca torceu o rabo! A porca pôs as coisas da seguinte maneira: exigimos a renegociação com a troika mas não aceitaremos o resultado dessa renegociação!

É porca mesmo, a porca. Vê-se pela sua sombra.

A sombra de Seguro

"Seguro tem medo da sua própria sombra, quanto mais da sombra de Sócrates" -  Marques Mendes.

Não está mal visto!

Pequeno Seguro finge que Cavaco claudica

O pequeno Seguro veio fingir que durante horas e horas, em nove reuniões sucessivas, o PS propôs aumentar a despesa do estado, enquanto o Presidente da República que tinha um observador presente, se congratulava com o bom evoluir das negociações.

Será que pode fazer-nos acreditar que Cavaco está irreversivelmente senil?

Mentir com quantos dentes tem

O pequeno Seguro, fingindo-se de Sócrates, veio pretender que fez nove reuniões com o PSD e o CDS e que da primeira à última foi defender que não havia cortes no estado e se tinha que aumentar a despesa em apoio social.

Que o disse uma vez, o governo disse que nem pensar e marcaram uma segunda reunião.

Nessa segunda reunião o PS repetiu o que já dissera, o governo repetiu que nem pensar e marcaram uma terceira reunião.

Que isto aconteceu nove vezes.

É preciso ser muito estúpido para acreditar nesta socratisse.

É preciso ser não mais que um pequeno chefe de gabinete, admitido por cunha, de um subsecretário de estado - ser, enfim,  um Pequeno Seguro - para tentar que o país acredite que isto se passou desta maneira.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Albuquerque

Gostei da combatividade da nova ministra das finanças durante o debate da moção de censura do PEV.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Irrevogável o quê?

Esta crise - a da salvação nacional -  apagou a memória da palavra irrevogável.

A coligação agradece.

O pequeno Seguro não percebe o que está a acontecer e quando acordar pode ser tarde.

O País agradece.

Vingança arrefece em Cavaco

A sede de vingança pela desfeita que Passos e Portas lhe fizeram, vai arrefecendo em Cavaco. É humano. E mais humano é quanto mais Cavaco vê o seu ego satisfeito com a nova influencia que ganhou com o beija-mão em seu torno.

Quando voltar das Selvagens à selva Cavaco saberá que a dissolução da AR agora é impossível.

Como é que se pronuncia Marshall em alemão?

Também os Alemães se assustaram com a crise portuguesa. O silêncio deles é infernal.

Eles não podem ter uma segunda Grécia. Por estes dias limitam-se a rezar.

Da próxima vez que Portugal falar com a troika, vamos estar mais fortes com Portas e eles mais fracos   com o susto que apanharam com a nossa crise.

A nossa dívida é impagável.

Acabámos de descobrir quem a pagará. Só nos falta saber como se pronuncia Marshall em Alemão.

Seguro ajuda Cavaco. Cavaco mata (sem querer) Seguro

O pequeno Seguro ajudou a retirar Cavaco do acantonamento em torno da coligação - ou provou que não estava acantonado, o que é, politicamente,  a mesma coisa.

Cavaco é tão influente que o PS se reúne com o Governo a ordens de Cavaco.

Seguro, o pequeno Seguro é fraco e não percebe que está destinado à morte neste processo se este durar uma semana que seja.

Morte às mãos da esquerda, o BE e a ala esquerda do PS.
Morte às mãos do PR valorizado pelo beija mão.
Morte às mãos do Governo que após este terramoto passará pelas autárquicas incólume, agora que o PS as tornou irrelevantes.
Morte às mãos da UGT, paralisada como ficou nesta crise.
Morte às mãos das confederações patronais entregues, assustadas, por Cavaco no regaço do Governo.

A guerra civil da esquerda

Como previmos a esquerda dá os primeiros passos de uma longa guerra civil, inevitável se o PS chegar a acordo com o PSD CDS e altamente provável se o falhanço das negociações não for feito com grande estardalhaço por parte do pequeno Seguro.

A probabilidade de haver acordo é muito baixa. Mas a própria tentativa é malsã para o PS. Quanto mais tempo durarem as negociações pior para o PS e melhor para a coligação. Como o aplauso nos Jerónimos mostrou, a ameaça de catástrofe financeira lançou um toque a rebate na direita unindo-a. Isso mesmo vê-se também no Parlamento e nas declarações públicas de membros de ambos os partidos.

 A saúde da coligação melhorou muito com a ameaça presidencial. Faz parte da alma nacional a união em tempos de crise. Cavaco e a resposta da bolsa e dos mercados foram a crise e o cerrar fileiras na coligação cresce cada dia. As críticas do PSD à vitória de Portas desapareceram instantaneamente face a uma ameaça maior.

PSD e CDS articulam-se e o PS cometeu um erro de palmatória: concordou com a apresentação de propostas escritas no âmbito das negociações para o compromisso de salvação nacional. O que escrever não poderá apagar e nada que lhe seja útil pode escrever, se tiver alguma coisa de concreto. Ou é ridiculamente vago e percebe-se  que faz teatro ou o que escrever será definidor.

terça-feira, 16 de julho de 2013

E se a remodelação se der e o país começar a crescer?

Se Cavaco aceitar a remodelação após o compromisso de salvação nacional, o país começar a crescer e não emergir um novo PSD de dentro do PSD, Paulo Portas tem uma oportunidade como Lucas Pires teve antes de Cavaco ter surgido: a de se tornar um novo Sá Carneiro.

Não lhe falta talento e não lhe falta coragem.

Precisa apenas de uma oportunidade para acabar de tirar o CDS do gueto social de onde já quase saiu.

É claro que mesmo que a sorte lhe dê a janela que procura, Paulo Portas tem um inimigo poderoso perto de si e que pode estragar tudo: chamam-lhe Paulo Portas.

Se o PS perde, quem o pode derrotar?

O mesmo partido que derrotará Passos - o PSD.

Um novo PSD, com Rio ou outro, aparecerá, virginal, para tomar conta da loja.

São apenas necessários dezoito meses de compromisso do PS com o PSD para o PSD derrotar ambos.

O CDS manterá um pé dentro e um pé fora mal o PS entre. Trata-se de um trabalho difícil. 

A não ser, é claro ... que o país dê a volta economicamente. Que continue a crescer, ao contrário do que imagina Pacheco Pereira, como parece que vai crescer este segundo trimestre. Que a Europa acorde e a troika mude. Aí, ao primeiro erro do PS, a coisa seria bem pior para o pequeno Seguro: a direita exigira cumprir o mandato até ao fim alegando que o PS violara o compromisso. Surgiria a moção de confiança, o ataque à instabilidade, uma nova AD com listas conjuntas pré-eleitorais.

O que é que o PS quer?

Poder.  Depressa.

José António Seguro sabe que a sua oportunidade cinge-se a um tiro único. Se conseguir ser primeiro-ministro o seu poder no PS crescerá e ninguém se atreverá a contestá-lo. O costume. O PS (tal como o CDS) não é o PSD.

Por isso, guloso por eleições antecipadas, precipita-se na direção que lhe parece a mais curta para as conseguir: o compromisso de salvação nacional. Tenta vários malabarismos para fingir que se mantém coerente mas toda a gente percebe (e se não percebesse, o BE e o PCP gritá-lo-ão mil vezes em voz suficientemente alta para que se perceba) que corre atrás do pote.

O PS pensa que, se conseguir o tal compromisso, logrará prender o CDS e o PSD a um acordo que lhe permitirá governar sem maioria absoluta.

Nada mais falso. Ao embrulhar-se nesse compromisso o PS fica visto como um partido de negociatas, sem alma. Tira valor às autárquicas. Perde parte da esquerda para a esquerda, nomeadamente o BE e o PC, pois será obrigado a atacá-la a partir da oposição, muito diferente de ser já governo.

Haverá uma guerra civil à esquerda, não tenhamos dúvidas, e nessa guerra civil o PS não pode acenar com o papão da direita pois acaba de se comprometer com ela. O BE terá uma oportunidade única de ocupar espaço se mantiver o atual tom moderado. O PCP vive um novo fôlego.

O PS perde.




domingo, 14 de julho de 2013

Aplauso de pé nos Jerónimos

Não é irrelevante o tempo que mediou desde o aplauso de pé a Passos e Cavaco nos Jerónimos até às reações por parte da oposição ao governo.

Com as manifestações pela queda do Governo confrangedoramente vazias, o aplauso de pé a Passos foi um segundo momento de perplexidade para os opositores da coligação.

A perturbação necessitou de alguns dias para que surgisse uma tese explicativa.

A Quadratura do Circulo

Gostava de ter dados sobre as audiências da Quadratura do Círculo. O programa está de tal forma engajado no ataque e na maledicência previsíveis em relação ao governo que o seu interesse parece-me diminuído. 

Lobo Xavier aparece, com algumas exceções, prestando vassalagem a Pacheco que, por sua vez, aparece para ajustar contas com o governo. Costa, se bem que menos que o seu antecessor, representa diretamente os interesses do PS numa postura de militante e não de homem livre. Essa militância quase só compete com a sua necessidade de branquear o governo politicamente criminoso de que fez parte e depois apoiou - o governo de Sócrates.

Quando se liga a televisão já se sabe o que se vai ouvir. É chato demais.

Pacheco Pereira e "A primeira manifestação do sindicato do Governo" II

No texto a que aludimos Pacheco Pereira interpreta o aplauso de pé a Passos Coelho na missa dos Jerónimos como fazendo parte da luta das classes altas contra as classes baixas.

Esta interpretação da dinâmica social não tem fundamento e integra-se na radicalização do próprio Pacheco. 

Mas não é esse um dos problemas principais desse texto. Os problemas são outros. 

Um deles é o ataque à Igreja Católica tentando associá-la à figura do cardeal Cerejeira. Conotar a Igreja com o "fascismo" porque os crentes aplaudem o líder do PSD é de uma maledicência incompetente.

Outro é o pretender ligar à manifestação dos crentes presentes nos Jerónimos a presença de forças de segurança. Fica por saber se Pacheco acha que os católicos só se manifestaram porque estavam protegidos pela polícia ou se acha que nenhuma manifestação é apropriada se for feita na proximidade da polícia. Ambas as teses são delirantes.

Outro ainda é a ideia de que o aplauso de pé foi a face visível de um "sindicato" do governo. Essa organização sindical de que ninguém havia ouvido falar, distinta do PSD e do CDS é uma organização do estado, segundo Pacheco. Trata-se mais uma vez de uma tese delirante.

Pacheco não suporta a ideia de que haja uma parte da população que aplauda de pé o Governo. Percebe-se essa intolerância há algum tempo e também ela parece pessoal. Uma das vítimas dessa intolerância é o Lobo Xavier que se esgota na tentativa falhada de equilíbrio entre o apaziguamento com Pacheco e a defesa dalgumas das teses do Governo.

Pacheco Pereira e "A primeira manifestação do sindicato do Governo" I

É engraçado o texto delirante de Pacheco Pereira, com o título acima transcrito. Pacheco sente um antagonismo pessoal em relação a Passos Coelho e ao seu grupo e isso envenena desde sempre a sua análise política dos tempos que correm. O caráter pessoal desse antagonismo tem uma gota daquilo a que um documento revelado pela wikileaks descrevia como a personalidade do PR - a pulsão vingativa.

Essa pulsão vingativa não deve ser desconsiderada na estratégia presidencial, que falou prolongadamente com Passos e Portas sem nunca lhes dar sinais de que se preparava para a intervenção que  veio a fazer.

Mau grado a motivação ser racional ou não, o efeito da manobra presidencial é ou causticar ou humilhar o PS. PSD e CDS têm, neste contexto, melhores armas para se defenderem do ataque do PR.


quinta-feira, 11 de julho de 2013

Alemães despedem tradutores

Segundo fonte segura o governo alemão já despediu 16 tradutores Português - Alemão após o discurso de Cavaco.

O 17º está aflito pois de facto em alemão o discurso não faz sentido.

Alguém os avisa que em português também não?

Cavaco pede ao PS que se suicide. Este parece recusar.

Há um detalhe sobre a natureza do PS que Cavaco devia conhecer.

O PS governa de modo semelhante ao PSD pré-Passos mas vive de um eleitorado parcialmente diferente.

Esse eleitorado é parcialmente à esquerda do do PSD.

O PS precisa de "falar à esquerda durante a campanha para governar à "direita" depois".

Não pode falar antes das eleições de modo semelhante ao que fala depois das eleições.

Antes ataca o PSD e o CDS. Depois ataca o BE e o PCP.

A proposta de Cavaco a ser aceite seria suicida para o PS.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Cavaco entala o PS e testemunha as suas próprias limitações pessoais

Cavaco acabou de falar com Passos, Portas e Seguro. Depois de os ouvir propõe ... falar com Passos, Portas e Seguro?

Na prática, depois da recusa de Seguro em entender-se com o Governo, Cavaco tomou o partido do novo governo Passos / Portas mas exige, antes disso, que o PS seja publicamente causticado por se recusar a chegar a acordo com PSD / CDS. 

Ou humilhado se aceitar o acordo e se deixar da conversa de eleições já, o que é de todo impossível.

O PS atacará Cavaco como tem vindo a fazer e recusará. O PCP e o BE espumarão de raiva e verão confirmada a suspeita de que o PS é de "direita". A esquerda dentro do PS espumará por ser colada à troika. 

Até lá, no PSD e no CDS ri-se a bandeiras despregadas.






Eleições autárquicas tornadas irrelevantes por Portas (Seguro em bicos de pés V)

Depois do derrube do primeiro governo Passos / Portas, Paulo Portas tornou o governo imune aos resultados das autárquicas.

Ou depois disto alguém vai deixar de se rir se depois das autárquicas Seguro exigir a ... demissão do governo?

Resumindo as coisas para o pequeno Seguro

Paulo Portas demitiu-se irrevogavelmente do Governo e fê-lo cair.

Passos, num passo de mestre, disse que o país não dispensava Portas dizendo que não apresentava o pedido da sua exoneração ao PR.

Cavaco, Passos e Portas exoneraram não Portas mas o anterior Governo e hoje pouco depois das 20h Cavaco anuncia um novo Governo Passos/Portas que sucede ao que Portas derrubou.

No processo as confederações patronais e a UGT deixaram-se de bluffs e puseram-se à disposição do governo para o que fosse preciso.

Os inimigos internos de Passos ficaram ou irrelevantes ou paralisados durante 6 meses.

Seguro ficou isolado da população que esvaziou as manifestações que a esquerda tentou organizar e esmagou com os aplausos a Passos nos Jerónimos.


Perceber Cavaco (Seguro em bicos de pés IV)

Muitos disseram que após o discurso do 25 de Abril Cavaco ficara reduzido a um ministro deste governo, impotente isolado.

Mas quem lhe deu agora força para pegar nas confederações patronais e UGT e entrega-las no regaço do governo?

Terá sido Paulo Portas e o seu choque de realidade ao demitir-se do 1º governo da coligação e dar origem ao segundo?

Paulo Portas, o novo Sá Carneiro? Ou Passos Coelho que percebeu como ninguém a psicologia de Portas e cresceu em autoridade com a famosa recusa em aceitar a sua demissão? Ou ambos?

Perceber Cavaco (Seguro em bicos de pés III)

Cavaco Silva ao ouvir, depois do susto da demissão de Paulo Portas do primeiro governo da coligação, os parceiros sociais obrigou-os a uma mudança de discursos até aqui imprevisível:
Todas as confederações patronais e a própria UGT ao declararem publicamente que não querem ou não pedem que este governo caia, tiveram de dizer ao presidente que os chamou para saber se havia suporte social para este governo que estavam dispostos a dialogar / concertar-se com o Governo. Que estavam dispostos a dar suporte social a este Governo. Foi isso que Cavaco lhes pediu para manter em funções o Governo.

O processo eleitoral não assusta por si mesmo os mercados. Acontece inevitavelmente de 4 / 4 anos. O que assusta os mercados é a possibilidade de se eleger um governo que não pague aos credores. Se estivesse em funções um governo tipo BE / PCP com uma política de "não pagamos" e esse governo caísse as eleições seriam bem vindas pelos mercados.

Não outra interpretação possível: patrões e UGT podiam ter pedido que o governo caísse mas assumiram que este governo é melhor que o que esperavam que resultasse de eleições. 

Ou seja Portas e Passos reganharam parte do suporte social que haviam perdido em 2 anos.

Vitória de ambos e redução de Seguro à sua irrelevante dimensão.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Seguro em bicos de pés II

A bem dizer, o discurso de Cavaco no 25 de Abril, a explicar que não há eleições nem que a porca torça o rabo, obrigou Seguro a ser um opositor não apenas do Governo mas também da Presidência da República.  Pior, com o exagero da sua reação, Seguro acabou por ficar a um passo de querer a demissão do próprio Cavaco.

Para uma pessoa com a devida dimensão e autenticidade isso podia fazer parte.

Para Seguro, é demais. Não dá para aguentar dois anos em oposição ao Governo, aos credores e ao PR e, a seguir, sacar nas urnas um resultado bom.

Seguro em bicos de pés I

A demissão irrevogável de Portas demonstrou que o país não resistira a uma crise eleitoral.

Se um arrufo de três dias entre dois partidos que defendem que se honrem os compromissos com os credores, provocou o terramoto que provocou - aquém e além fronteiras - imagine-se o efeito de meses de campanha com a esquerda a clamar "não pagamos", o polvo socialista dividido, Seguro a mentir com quantos dentes tem e terminar tudo num parlamento ainda mais fraccionado que o atual.

Com a crise que desencadearam e resolveram, PSD e CDS reduziram Seguro à sua dimensão - a de Chefe de Gabinete de um Sub-Secretário de Estado, admitido por cunha.

O que passa disso são bicos de pés.

sábado, 23 de julho de 2011

Colossal atraso mental

Ouvi hoje mais um debate em torno de um não assunto que tem enchido a nossa imprensa nos últimos dias: a (não) afirmação por parte de Passos de que haveria um desvio colossal nas contas públicas.

Passos é o Primeiro-Ministro e tem acesso a dados que mais ninguém tem. Diz que há um desvio nas contas públicas e que esse desvio põe em causa o cumprimento do deficite acordado com a troika de 5,9% para este ano. Por isso anunciou um imposto sobre a classe média e sobre a classe alta no valor de quase meio subsídio de Natal, bem como vai anunciar mais cortes na despesa pública. Os números publicados até agora são a favor de que nos primeiros meses deste ano não se estava a conseguir o deficite pretendido.

Afinal qual é a questão, para além da apetência nacional para a maledicência e para não conseguirmos distinguir o essencial do acessório? É o adjectivo começar por "c"? É acabar com um "l"? É ter 8 letras?
É sermos todos atrasados mentais?

Alguém me explica qual é a questão?

domingo, 17 de julho de 2011

É triste mas é Cavaco

A idade raramente melhora as pessoas.

Cavaco, o melhor primeiro ministro pós- 25 de Abril tão só pelo facto de que Sá Carneiro governou pouco tempo e os outros foram todos particularmente maus (dois foram mesmo politicamente criminosos - Vasco Gonçalves e José Sócrates), continua a revelar-se um mau Presidente.

Durante os seis anos de Sócrates, enquanto este dizimava o país Cavaco declamava maus poemas da sua própria autoria. O pior foi aquela história senil das escutas. Agora com um Governo que parece decente Cavaco pronuncia-se de forma tosca sobre assuntos externos.

A última versão é pôr-se a comentar de forma patética a força do Euro face ao dólar como se não fosse evidente para toda a gente que se trava uma batalha de enfraquecimento do dólar e outras moedas (como o real) face à moeda chinesa, o renminbi ou yuan. O dólar lutou pela desvalorização.

Os capitais que perderam confiança no dólar foram comprar euros? Não. Foram comprar ouro.

A seguir Cavaco pronuncia-se sobre Obama quando Obama disse que os Estados Unidos não são a Grécia ou Portugal. Ouvindo-o percebemos que Cavaco é tão irrelevante que o seu título de presidente devia ser removido. Podia-se chamar por exemplo Grão-Mestre da Ordem Constitucional.

Verdadeiramente não preside ao País. O País é presidido de fora.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

domingo, 10 de julho de 2011

Piratas Portugueses atacam página da Moody's

Piratas informáticos portugueses atacaram o site da Moody's e colocaram novamente Portugal em AA+.

Para além disso colocaram uma imagem de D. Afonso Henriques e insultaram a Moody's a propósito do uso que o rei poderia dar à sua espada.

sábado, 9 de julho de 2011

Cavaco e a Wikileaks

Cavaco diz que um vasto conjunto de políticos europeus criticaram a Moody's por causa da notação dada a Portugal. Protegido pelo que considera um inédito apoio a Portugal, Cavaco pede a fogueira não apenas para a Moody's mas também para todas as agencias de rating americanas ou sediadas nos Estados Unidos.

Ora segundo a Wikileaks, o Embaixada Americana classificou no passado Cavaco como "vingativo".

Cavaco teria levado a cabo "sérias vinganças políticas pelo simples facto de não ter sido convidado à Sala Oval na Casa Branca"


Promovam o Senhor Embaixador.

Cavaco Silva fala e diz

Todas as agencias de rating americanas são uma ameaça à europa.
Todas.

Provavelmente na América põem coisas na água e todos os americanos desatam a lixar a Europa.
Todos.

Como eles são mais de 300 milhões é muita água estragada.
Muita.

O Cavaco é que sabe.
O Bibi deve concordar. Já o lixaram com a coisa da água.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Moeda sem Príncipe?

Nenhum verdadeiro príncipe prescinde de cunhar moeda.

O Príncipe que se chegue à frente para saber se o deixamos ficar na nossa terra.



quarta-feira, 6 de julho de 2011

Maria José Nogueira Pinto

A sua vida fez a diferença

Moody's, a falência e o governo

O governo não deve comentar as decisões das agências de rating pela voz de ninguém que esteja acima da categoria de secretário de estado. Idealmente de chefe de gabinete.

Os comentários do Governo não têm impacto nas decisões das agências de rating, não têm impacto no exterior e só reforçam (se possível for) a importância mediática interna das notações.

O governo deve dizer que o que depende de nos será feito. Não estamos sozinhos no mundo mas temos 850 anos de história. A médio prazo dependemos de nós próprios.

Faremos o que tem de ser feito.

sábado, 2 de julho de 2011

Estado pequeno e forte (II).

Libertado depois da rápida ação de uma justiça séculos à frente da nossa.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

13º mês e Passos Coelho

Passos Coelho contradisse o que afirmara na campanha eleitoral.

Talvez não houvesse outra solução. Talvez venham aí cortes na despesa que mostrem que o equilíbrio da contas não se faz apenas à custa de cobrar mais impostos.

Estamos cá para ver

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Mentir, mentir até à porta do inferno

Ainda recentemente secretários de estado demissionários (os ministros e o primeiro-ministro desapareceram) e políticos do PS proclamavam a eficácia da correção das contas públicas ocorridas no primeiro trimestre deste ano. Em certos balanços lançavam a orgulhosa expressão superávite.

Agora percebeu-se que era tudo ... mentira.

Mesmo depois de decapitado o estado socialista canta ossanas, mentindo e resfolegando de tão intensa alegria.

Duas camisas de forças para esses homens e para a Senhora que em Berlim os elogiava.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Boas ideias e os liberais mais extremados

Uma pessoa para ter uma boa ideia precisa desde sempre de ter pedigree.

As boas ideias não valem por si mesmas.

O Ministro da Economia apresentou uma ideia: atrair reformados do norte e centro da europa para o sul do país, como a Flórida faz nos USA.

Contudo o Ministro não tem o pedigree necessário pois não é empresário, segundo dizem.

As boas ideias só podem partir de quem tem conta bancária para isso e está disposto a pôr dinheiro seu nas suas ideias.

Desenterrem D. João II e enforquem-no. Ele teve uma ideia para este país.

Passos Coelho e a Europa

Não gostei que Passos Coelho passasse tão blasé pela cimeira europeia.

Não gostei que Merkel gostasse tanto dele - Merkel também gostava de Sócrates, tal como gosta de quem quer que seja que diga que sim.

Ter um programa para o seu país e ter um programa para o continente e a união excede a simpatia.

Merkel não promove nem paga a conta de bailes de debutantes.

Aguardamos a chegada da verdade.

domingo, 26 de junho de 2011

Rocha Vieira e Paulo Macedo

No fim do mandato de Rocha Vieira em Macau este para combater o crime mandou vir um magistrado que prendia mafiosos violando descaradamente a lei.

Alguns, poucos, acharam que melhor teria sido ser eficaz de forma civilizada como fazem os Suiços, os Canadianos, os Americanos, os Holandeses, etc. Decidimos, em vez disso, inspirar-nos na Arábia Saudita e no Irão. 

No combate à fuga ao fisco Paulo Macedo fez pior que Rocha Vieira: violou direitos de forma sistemática como muito bem lembrou Pacheco Pereira na última Quadratura do Circulo. Direitos dos mais fracos. 

Esta questão lembra-nos da herança do Estado Novo e da Iª República. Só conhecemos dois tipos de figuras públicas. Os que nada fazem para defender os interesses do estado, sendo incompetentes ou pior, e os que para serem eficazes na prossecução do interesse público violam a lei e os direitos das pessoas.

Terceiro Mundo.

Discordar de si próprio

Estanislau. Nome invulgar. Praxis invulgar.

Trata-se do caso de um administrador que decidiu levar mais longe aquele conceito que todos conhecemos dos políticos que "enquanto governantes" são bem distintos do que são "enquanto líderes partidários".

Corria o ano de 2010 e o local da ação foram os CTT.

O senhor decidiu como chefe hierárquico de si próprio dar ordem de demissão de si mesmo, alegando que não cumpriu as suas próprias determinações.

A palavra esquizofrenia terá saído do dicionário?

Numa coisa tem razão

Numa coisa Oscar tens razão:

A banalização da mentira e a histeria correctora que se lhe seguiu fez com que muitos comentadores, como é o caso de Pacheco Pereira no artigo de opinião do Público e de muitos outros em blogs, deixassem de conseguir distinguir dois conceitos totalmente distintos na ética privada e parcialmente distintos na ética de Estado: mentir e mudar de ideia.

Mudar de ideia e mentir não são a mesma coisa.

Pacheco Pereira - errata e dúvidas

Pacheco publicou com alguns erros um artigo de opinião no Público dia 25.

Apresentamos a errata a pedido de várias famílias e algumas dúvidas / agradecimentos pessoais:

"Caso Nobre" - Por erro saiu um não a mais. Pacheco queria dizer que o facto de Passos Coelho ter passado o dia inteiro no Parlamento a tentar passar Nobre e ter sido incapaz de o fazer vencer a eleição, nomeadamente ter sido incapaz de convencer Portas a fazer o que qualquer imitador de Amaro da Costa teria feito a qualquer imitador de Sá Carneiro, não ter um plano B, ter decidido pôr na ordem os dois candidatos que proclamavam o seu amor pela "casa" e ido buscar uma pessoa tão light que ficou delirante com a honra, dando saltinhos de alegria, foi uma derrota que alerta para uma questão simples: quem manda? A teoria dos inimigos, semi-inimigos, semi-amigos, amigos e amigados era a reinar e foi um tipógrafo que por maldade publicou.

"A quebra de palavra de Nobre que mostra que a palavra de Passos nada vale". Nobre não quebrou a palavra dada porque não deu palavra nenhuma. Caíram em cima do bom doutor quando ele  ao telemóvel numa picada do Sri Lanka disse ao Expresso que não ficava no parlamento se não pudesse assumir a presidencia e o dito platinado doutor, já sentado e de cabeça fria, mudou de ideia e dizendo então que ficaria, se houvesse como servir os cidadãos sem presidir à casa. Isto há muito tempo. Além disso o que tem a palavra do Passos a ver com a do Nobre?

"teve quinhentos mil votos". A calculadora do arredondamento tinha pouca bateria. Quando pôs bateria e Pacheco viu que eram seiscentos mil o Público já estava nas rotativas.

A comparação que Pacheco faz entre as críticas à partidocracia de António Barreto Nobre e a acampada foram feitas já depois da meia noite e por isso não contam.

A manifestação da geração à rasca foi para aparecer na televisão e se as televisões desatarem a promover a acampada caiem lá imediatamente duzentas mil pessoas, o que eram muitos rolos de papel higiénico e por isso elas não alinham.

As criticas do António Barreto  movimento democracia verdadeira não têm qualquer fundamento pois todos sabemos que desde que existam partidos e eleições há democracia como os Mexicanos e Indianos bem sabem.

O Pacheco não grama o facebook mas não era para dizer já - era para outro artigo.

"Uma centena de pessoas decide pelo país inteiro" - ah não ma tinha apercebido disso.

"Era na acampada que Nobre devia estar"- eh pá Pacheco mas atão e aquele cabelinho com laca como era?

A malta da acampada apoia o general fuzilador de Singapura? É tudo a mesma coisa? - é bom que alguém avise.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Governo grego e a moção de confiança

Vencida a moção de confiança a Grécia deve limpar a casa e Portugal deve liderar a resistencia aos juros absurdos da UE.

Os apoios comunitários ao desenvolvimento devem deixar de depender do co-financiamneto nacional dos projectos durante três ou quatro anos.

Governadores Civis

Pedro Passos Coelho mantém a liderança ao não distribuir os Governos Civis pelos amigos.

Assunção Esteves

Pedro Passos Coelho surpreende ao escolher um nome inesperado.

Duplicidade, traição e a demissão de Fernando Nobre

Lamento que Fernando Nobre não se tenha demitido do cargo de deputado à AR após a sua derrota de ontem.

Um dos problemas de muitos independentes que decidem abraçar uma causa política é a compreensão incompleta da ferocidade desse meio. São muitas vezes pessoas com boas intenções, inteligentes, articuladas e com falta de treino na comunicação em ambiente em que predominam os sound bites de tom politicamente correto. Essa falta de treino, a bondade das suas intenções e a não compreensão da agressividade do meio político são-lhes geralmente fatais.

Parecia o caso do falecido Gentil Martins e talvez seja o caso de Fernando Nobre.

Acresce que muitas destas pessoas têm um pensamento original sem que contudo esse pensamento seja filosoficamente completamente estruturado. Por último são pessoas sós na migração para as causas políticas. O resto dos seus companheiros de sempre fica para trás.

Na actual praxis política há inúmeros casos de candidatos a deputados que não têm a menor intenção de ocupar o cargo. É prática corrente. Posso dar os nomes de Alberto João Jardim ou José Sócrates mas qualquer um de nós pode nomear muitos mais.

Não há qualquer razão decente para que alguém isole um candidato e faça campanha contra ele por se candidatar a deputado com outra intenção que não a de ficar na bancada. Quem o faz serve outra agenda.  Fernando Nobre devia ter-se mantido desde sempre fiel  à sua posição inicial: tinha um projecto para aproximar a AR dos cidadãos, esse projecto pode ser prosseguido apenas por grupos políticos organizados ou pelo presidente da AR pela projeção especial que é possível atingir através do cargo.

A quem  o acusasse de arrogância limitava-se a dar um ou dois exemplos de pessoas de se candidatam à AR com o propósito de prosseguirem outros projetos, notar a duplicidade do critério e repetir que a sua ambição era aproximar a AR das pessoas. Repetir e esperar. 

Mal foi derrotado, mal foi cuspido, o meio que o devorou entrou em damage control tentando amansá-lo e apaziguar a consciencia própria dizendo que afinal ele era uma pessoa prestigiada e boa. Só que não ao nível de um Guilherme Silva...

Por outro lado Paulo Portas foi prejudicado por ter falhado um cálculo. Portas convenceu-se que Nobre seria eleito sem os votos do CDS e por isso deu ordens para os deputados do CDS dobrarem à vista de toda a gente os boletins mal os recebessem para que fosse público que votavam em branco e não em Nobre. A ideia não era trair Passos - a ideia era atestar que cumpriam os compromissos com o seu eleitorado, que falavam verdade e eram coerentes. O país está carente de sinais de que os políticos falam verdade e Portas queria dar sinais nesse sentido.

A estratégia falhou até por incompetência de Nobre que tinha dito que a solidariedade maçónica garantia os votos necessários na bancada do PS.

Portas falhou a sua estratégia mas não traiu ninguém e manter-se-á leal à coligação.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A Humilhação de um Nobre pela República

Um homem que dedicou toda a sua vida aos outros, que constituiu do nada a mais prestigiada ONG não religiosa portuguesa e a única com projecção internacional, quantas vezes com risco pessoal, foi hoje humilhado pela instituição mais desprestigiada da República.

Acresce que além de ter vida pública própria, o homem atreveu-se a criticar em voz bem alta um dos ninhos da partidocracia, verberou a casa que se propunha mudar. A casa, aqueles senhores que se levantam e sentam quando o dono manda não gostou. Como podia mandá-los levantar e sentar, falar e calar, agendar e desagendar um mestre de cerimónias que não está habituado a ajoelhar? Como podia competir com pessoas que como Guilherme Silva e Mota Amaral passaram todo o dia a lembrar que nada tinham contra a casa?

Sózinho todo o dia, com raros deputados do PSD a acompanharem-no, com excepção do Pedro Passos Coelho, abandonado pela maçonaria e pelo parceiro da coligação que num pequeno-almoço recente o amolecera, foi maltratado sem apelo nem agravo todo o dia.

Os candidatos a independentes retirem daqui a lição mais visível: pode não se ser político e tentar-se entrar na política. O que não se pode fazer é deixar em casa o killer instinct ... para o ter, é claro, ajuda muito ser político. Coisa que poucos nobres são. 

Perceber a posição do CDS

A posição do CDS na eleição para a presidência da AR é difícil de perceber.

Se o Presidente da AR tem alguma importância e é um deputado - ou seja é eleito pelos portugueses - faz até mais sentido que os partidos que se acham em condições de poder propor o nome em causa, o façam antes das eleições, do que acontece com o nome do Primeiro-Ministro. As eleições são para deputados em primeira mão.

O PSD fez bem em dizer que nome propunha aos portugueses para liderar o Parlamento e Passos Coelho fez bem em dizer que o partido defende a aproximação do parlamento aos cidadãos.

O PSD fez campanha eleitoral na rua por Fernando Nobre.

Aparentemente o CDS, não tendo um candidato tinha uma agenda de veto contra o candidato do PSD. Foi o que disse Portas: tinha-se comprometido com o eleitorado com o veto a Nobre e agora era coerente. Sabemos que isso é falso. Portas apenas dissera que o candidato revelava falta de humildade democrática e que a sua eleição não estava garantida.

Percebemos agora que o CDS vetava Sócrates e vetava Nobre. Sabemos porque vetava Sócrates  que tinha exercido o cargo e tinha falhado. É necessário explicar melhor porque teria (sabemos que não o fez) feito campanha eleitoral vetando Nobre.

O seu líder parlamentar fez pior que Portas: veio dizer que devia ser uma pessoa com a "inteligência necessária" para o cargo, entre outras características. As outras características serão currículo. Inteligência não.

Ou seja o CDS decidiu enxovalhar o candidato do PSD, já após a sua derrota, sem se perceber bem com que vantagem. 

Não percebo o que quer Portas. 

Spin doctors

Os spin doctors de Passos Coelho, devem estar a correr para as redações dos jornais para tentar que as primeira páginas de amanhã se foquem na pessoa de Fernando Nobre, escondendo a falta de liderança do Primeiro-Ministro que passou o dia no parlamento e não conseguiu fazer passar o seu candidato.

Vai ser difícil: ou o candidato não prestava e fica em causa a competência de Passos ou o candidato prestava e fica em causa a capacidade de liderança de Passos Coelho.

Se a coisa se arrastar para amanhã mais impacto terá a derrota de Passos.

domingo, 19 de junho de 2011

A má sorte dos inimigos da caridade (I)

Uma das pessoas que na minha opinião mais tem contribuído para a reanimação semântica de certas palavras em Portugal, tem sido Vasco Pulido Valente. Muita gente dedica tempo a tentar encontar e até colecionar os disparates desse génio. Não me dou a tal actividade porque sei bem que o que distingue o génio do homem comum, é a capacidade do primeiro ver mais longe que o último e não o facto de não avançar aqui ou ali um disparate.

Todos sabemos que o recordista mundial de velocidade pode andar tão devagar como um portador de deficiência motora, mas nunca um portador de tal deficiência pode correr tão rápido como o dito campeão.

Palavras que aqui há quinze anos estavam erradicadas do discurso público entraram em circulação. Palavras virtualmente ofensivas como bondade (reintroduzida em grande parte por VPV na expressão "bondade da decisão"), honestidade, herói, pessoa frágil, pobre (ao contrário de pobreza que se manteve sempre permitida), mentiroso, são agora ditas sem vergonha. 

Defendo que a melhor maneira de seguir a mudança duma cultura é seguindo a evolução das palavras do discurso aceite. As palavras proibidas começam a despontar em meios auto-limitados, sub-culturas, nichos, até que alguém as reintroduz (ou introduz) no discurso "mainstream", onde são  muitas vezes aceites com uma rapidez inesperada, que significa terem morrido ou sido digeridos conceitos que a conotavam de forma inaceitável ou, ao contrário, que soçobraram as ideias  que antagonizavam o seu uso. No naipe das palavras trava-se muito mais que uma batalha semântica, trava-se a guerra da mundivisão.

A evolução linguística das últimas duas décadas em Portugal tem sido uma sequência lenta de vitórias para a direita e para a verdade. Ainda recentemente, numa entrevista na SIC um homem da esquerda decente, António Barreto, teve uma expressão inesperada que dificilmente seria aceite há dois ou três anos: o entrevistador convidava Barreto a esclarecer que longe dele estava a ideia de demonizar fosse quem fosse, pois é óbvio que um homem tão ilustre não seria tentado por tal maniqueísmo, quando Barreto lhe diz de forma clara, quase brutal, que "não me importo de demonizar o demónio".

Essa entrevista é uma peça de antologia da mudança em curso na cultura portuguesa que quando passa pelo uso intencionado das palavras, tem como expressores pessoas com coragem intelectual acima da média.

Blair nunca. Perceberam agora porquê?

A Sra. Angela Merkel, a candidata a coveira do euro, recusou terminantemente a candidatura de Blair a "presidente" da europa, preferindo um senhor que é tão influente como Barroso mas mais calado. Aparentemente a senhora não gostava de Blair por causa da apetência deste para o estrelato e, mesmo, por falar demais.

Percebe-se agora com o comportamento suicidário da Alemanha, com a sua manha na busca do lucro a curto prazo, porque é que Angela preferia Herman José  Van Rompu.

Barroso não existe

"Eu não percebo - sem dúvida sou demasiado ingénuo - esta perversidade europeia que exige que, quando se trata de atribuir à Grécia volumes financeiros importantes em matéria de coesão e de política regional, continuemos a insistir na obrigação de co-financiamento daqueles programas", afirmou Jean-Claude Juncker


O presidente do eurogrupo propõe que a ajuda à Grécia venha do orçamento da UE e não de empréstimos.


Igualmente afirmou que se está a brincar com o fogo arriscando que com a queda da Grécia caiam Portugal, a Irlanda, a Espanha, a Bélgica e a Itália.


Barroso, como é evidente, não existe.


Portas tem uma oportunidade de entrar para a história falaando português claro no eurogrupo.

sábado, 18 de junho de 2011

Não digam ao Marcelo. É segredo

Fernando Nobre quer recandidatar-se com hipótese de vencer a próxima eleição para Presidente da República.

Quer juntar os 600.000 votos que obteve aos votos que Cavaco. Diz que é de esquerda e o timing é o correcto - nem precisará de se demitir de presidente da assembleia da república para ser candidato.

Percebe-se a ideia. Se fosse ministro não ia lá. Agora, antes disso, tem de conseguir vencer uma eleição, mesmo que esta só tenha um universo de 230 votantes.

Depois, tem de perceber que não se passa de número dois para número um do estado com um saltinho no pódio de prata para o de ouro. Tem de se descer até ao chão e começar do "zero".

Não digam a ninguém. Principalmente não digam nada a Marcelo, a Barroso e ao Freitas. É segredo.

Oscar, 18-06 (20:25)

Um ano depois da morte de Saramago

Pilar fala da cama que se partilha entre duas pessoas maduras, fala do amor maduro.
Gostei de a ouvir.