Apesar da falta de clareza com que os políticos em geral e Cavaco em particular, falam e que não dispensa que a seguir a uma intervenção sua, surja uma mole de tradutores que se propõem transformar em português padrão aquilo que acabou de ser dito, desta vez Cavaco foi um pouco mais claro.
Nada mal e seguramente muito melhor do que o prolixo Sampaio, capaz de falar durante uma hora para tentar dizer que faz mais calor ao sol que à sombra.
É claro que uma nação que atravessa a crise que atravessamos, em que a ameaça de colapso é verdadeira, teria a ganhar com maior liderança nos grandes objetivos, por parte duma presidência legitimada por sufrágio direto e que é acompanhada por um governo fragilizado.
Esta crise mostrou bem que não é necessário mudar a constituição para o Presidente ter um papel bem maior que o minimalista que tradicionalmente assume.
Ao invés do que muitos pretendem, o facto de três dos presidentes terem lançado a bomba atómica (sim Cavaco lançou-a, limitando-se a, por ora, não puxar a cavilha) e do outro - Ramalho Eanes - ter criado um partido político, demonstra à saciedade que a questão do papel da PR num regime semi-presidencialista é mais uma questão de vontade do que uma questão de meios.
domingo, 21 de julho de 2013
Mensagem de Cavaco I
Habituados à inabilidade, habituados à superficialidade e habituados à falta de postura estadista não é necessário muito para aprovarmos uma intervenção presidencial.
Cavaco teve hoje uma intervenção normal e isso impressiona dada a baixa expectativa.
Disse que o recente exercício negocial dos partidos que representam 90% da AR, das confederações patronais e da UGT, o governo remodelado e uma moção de confiança modificam a situação política anterior e dão condições para uma segunda metade da legislatura melhor conseguida que a primeira.
Apontou discretíssimos objectivos políticos - o que foi bem mais do que é habitual.
Manteve a ameaça de dissolução no ar, na usual forma opaca, ao salientar que mantém os seus poderes intocados.
Cavaco teve hoje uma intervenção normal e isso impressiona dada a baixa expectativa.
Disse que o recente exercício negocial dos partidos que representam 90% da AR, das confederações patronais e da UGT, o governo remodelado e uma moção de confiança modificam a situação política anterior e dão condições para uma segunda metade da legislatura melhor conseguida que a primeira.
Apontou discretíssimos objectivos políticos - o que foi bem mais do que é habitual.
Manteve a ameaça de dissolução no ar, na usual forma opaca, ao salientar que mantém os seus poderes intocados.
Escutas ilegais no PS - texto do discurso de denúncia por parte de Seguro, o anão.
Apresentamos o discurso que Seguro se prepara para fazer para denunciar as escutas ilegais detetadas na sede do PS:
"PORTUGUESES:
"PORTUGUESES:
1. Após as campanha eleitoral negociações para o compromisso de salvação nacional foram produzidas declarações e notícias sobre escutas e espiões, ligando-as ao nome do Presidente da República Secretário Geral do PS e, no entanto, não existe em nenhuma declaração ou escrito do Secretário Geral qualquer referência a escutas ou a algo com significado semelhante, a não ser as que mandei fazer para os jornais.
Desafio qualquer um a verificar o que acabo de dizer, estando disponível até para apostar.
E tudo isto sendo sabido que o Secretário Geral é um órgão unipessoal e que só o secretário fala em nome dele ou então os fundadores, dinossauros, socratistas e pessoas com brinco os seus chefes da Casa Civil ou da Casa Militar.
2. Porquê e que sociedades secretas urdiram toda aquela manipulação?
Transmito-vos, a título excepcional, e só se prometerdes não gravar em cassetes, porque as circunstâncias o exigem, uma ideia que me ocorreu para a interpretação dos factos.
Outros poderão pensar de forma diferente. Mas os portugueses têm o direito de saber a ideia que teve o Secretário Geral Presidente da República.
Durante o mês de Julho Agosto, na minha casa em Lisboa no Algarve, quando dedicava boa parte do meu tempo à análise das atas da negociação diplomas que tinha levado comigo para efeito de as dissimular com documentos escritos que dissessem o contrário do que acontecia nas reuniões com o PSD e o CDS promulgação, fui surpreendido com declarações de destacadas personalidades da esquerda, exigindo ao Sr. Secretário Geral Presidente da República que interrompesse o merecido recato a que se dedicara férias e viesse falar sobre a participação de membros da sua equipa casa civil na elaboração do programa para o compromisso de salvação do governo do PSD (o que, de acordo com a informação que me foi prestada – e perguntei duas vezes para me certificar - era uma invenção da direita pois eu nunca negociei nada e bati-me sempre pelo povo e os amigos do PS).
E não tenho conhecimento de que no tempo dos secretários gerais presidentes que me antecederam no cargo, alguma vez os tenham incomodado nos seus fins-de-semana ou que os membros das respectivas equipas casas civis tenham sido limitados na sua liberdade cívica, incluindo contactos, negociações, negócios e negociatas das fações partidos a que pertenciam.
Considerei graves aquelas declarações, assim um tipo de ultimato dirigido ao Sr. Secretário Geral Presidente.
3. A leitura pessoal que fiz à bocado dessas declarações foi a seguinte (normalmente não demoro quase nenhum tempo, a fazer saber a toda a gente a leitura pessoal que calha fazer de declarações de outros políticos mas, nas presentes circunstâncias, fui forçado a abrir uma excepção e esperei alguns minutos).
Pretendia-se, cá para mim, alcançar dois objectivos com aquelas declarações:
Primeiro: Arrepanhar o Secretário Geral Presidente para a clarificação e transparência do que se passara nas negociações, encostando-o àqueles senhores apessoados do PPD e do CDS, apesar de todos saberem que eu, pela minha maneira de ser, sou, desde pequenino, particularmente rigoroso na confusão em relação a todas as ideias políticas e costumo voltar logo atrás, mal Mário Soares, o soba, ou Sócrates, o falso, dão a ordem.
Segundo: Desviar as atenções do debate pré-eleitoral autárquico para as recentrar nas questões que realmente preocupam os cidadãos e pessoas, o que, como é sabido, não costuma interessar ao PS.
Foi esta a minha leitura e, nesse sentido, produzi uma declaração que já deu na televisão no dia 20 de Julho 28 de Agosto.
4. Muito do que será dito ou escrito envolvendo o meu nome próprio ou apelido, interpretá-lo-ei como visando aqueles dois objectivos.
Incluindo as interrogações que qualquer gajo pode fazer sobre como é que aqueles políticos e jornalistas saberiam dos passos dados por membros do PS da Casa Civil da Presidência da República – sim como é que saberiam? Não há fumo sem fogo e eu não sou ingénuo. Olha eu! que ando sempre a matutar nestas coisas, a escrevê-las no meu computador e perguntar ao Soares, o soba, e ao Sócrates, falso, se acham bem.
Incluindo mesmo as informações que publicou um membro da minha equipa no site do PS Casa Civil , de que não tive conhecimento prévio, ou se tive quando fiz o discurso no Rato, entretanto passou-me, e que tenho ainda algumas dúvidas quanto ao significado e os termos das palavras caras, aí usadas.
Mas onde está o mal de alguém, a título pessoal, se alembrar de dissimular as razões que estão por trás das conversações políticas de outrem, apesar da versão oficial do site do PS.
Repito, cá para mim, pessoalmente, a verdade é que tudo não passava de tentativas de conseguir os dois objectivos que eu já disse: colar em sentido figurado o Sr. Secretário Geral ao PPD e CDS e desviar as atenções das pessoas para os problemas reais do país, tipo cortina de fumo, enfeite especial ou assim, no preciso momento em que quero ir para aquela coisa gira dos stand-up comedy, a que chamamos comícios.
5. E a mesma leitura fiz da publicação nos jornais diários, quer na página da frente quer noutras lá dentro, do que andei a fazer durante as negociações para o compromisso de salvação nacional.
Desconhecia totalmente a existência e o conteúdo das referidas negociações, feitas nas minhas costas, apesar dos meus assessores passarem muito tempo dentro das sedes dos partidos da direita e não conseguirem ir à sede do BE por causa de alergias e, pessoalmente, tenho sérias dúvidas quanto à ortografia das afirmações neles contidas. Mas juro pela saúde da minha falecida bisavó que não sei o que disseram os tipos da delegação do PS e ainda hei-de perguntar ao Justino para ele me explicar tudo num desenho.
Não conheço os membros da delegação do PS neles referidos, não sei com quem falaram estes dias, não sei o que viram ou ouviram durante as negociações, não sei quem é o David, e se disso fizeram ou não relatos a alguém como a minha pessoa e o PR.
Sobre mim próprio teriam pouco a relatar que eu sou um chato como o caraças, e por isso não atribuí qualquer importância às suas entradas e saídas do meu gabinete, à sua presença nas sedes dos partidos, apesar de me chatear pagar a conta da gasolina e dos almoços que eles andaram a comer.
6. A primeira interrogação que fiz a mim próprio, quando tive conhecimento da publicação do teor das negociações nos jornais (ainda por cima na página da frente para toda a gente ver) foi a seguinte: “porque é que é publicado agora, a escassos meses do acto eleitoral para as autárquicas, quando já passaram dois ou três dias da negociata”? Seria para lixar a minha carreira no partido?
Liguei imediatamente no meu cérebro essas publicações aos objectivos visados pelas declarações produzidas por mim durante meses a fio, em que andei a dizer que o governo era da troika e o presidente estava feito com ele.
E, pessoalmente, confesso que não consigo ver bem adonde está o crime de um cidadão, mesmo que seja membro da direção do PS staff da casa civil do Presidente, ter impulsos de desconfiança, suspeição, grãozinho debaixo da asa, pedra no sapato ou de outro qualquer sentimento negativo em relação a atitudes de outras pessoas que queiram cumprir os compromissos internacionais do país.
7. Mas as noticias publicadas deixavam a dúvida na opinião pública, sobre se teria sido violada uma regra básica que vigora no PS desde sexta-feira: ninguém está autorizado a falar em nome do Secretário Geral
Foi por isso, e só por isso, que tive aquela ideia de proceder a alterações àquilo que disse ao Presidente da República sexta à tarde, quando ele me mandou ir a Belém, e correr para a televisão a dizer o que disse sem dar cavaco ao Cavaco.
Apesar de ser tudo falso, tudo uma manipulação pelos do governo, apesar do BE ser meu amigo há mais de 2 anos, lixei-o e corri pra os braços do PPD e do CDS durante nove reuniões, sem dizer água vai ao avô Soares e ao patrão Sócrates. Assim todos os cidadãos e pessoas viam logo que como eu gozei o Cavaco nas declarações de sexta às 20:00, é porque ele é que é o culpado de tudo. Se quiserem faço um boneco para explicar que os maus são do governo e eu por isso primeiro lixei o BE e o PCP, com grande pena minha que eu a mim tanto me faz, porque sou muito sério e só quero é ser primeiro-ministro e por isso hoje é que disse os meus pensamentos pessoais. Já expliquei tudo ao Galamba quatro vezes e ele já disse que sim que já percebeu e que eu agora não repita mais a ele e que diga na televisão mas sem fazer os desenhos que não faz falta.
Apesar de ser tudo falso, tudo uma manipulação pelos do governo, apesar do BE ser meu amigo há mais de 2 anos, lixei-o e corri pra os braços do PPD e do CDS durante nove reuniões, sem dizer água vai ao avô Soares e ao patrão Sócrates. Assim todos os cidadãos e pessoas viam logo que como eu gozei o Cavaco nas declarações de sexta às 20:00, é porque ele é que é o culpado de tudo. Se quiserem faço um boneco para explicar que os maus são do governo e eu por isso primeiro lixei o BE e o PCP, com grande pena minha que eu a mim tanto me faz, porque sou muito sério e só quero é ser primeiro-ministro e por isso hoje é que disse os meus pensamentos pessoais. Já expliquei tudo ao Galamba quatro vezes e ele já disse que sim que já percebeu e que eu agora não repita mais a ele e que diga na televisão mas sem fazer os desenhos que não faz falta.
8. A segunda interrogação que a publicação das referidas revelações, sobre como quase cheguei a acordo para o compromisso de salvação, me suscitaram foi a seguinte: “será possível alguém do exterior, por exemplo os do governo ou jornalistas ou até esquerdistas, entrarem no meu computador, sem me dizerem nada? Estará a informação confidencial contida nos computadores do PS suficientemente protegida? Tipo coisas que escrevo a rimar, os sites que visito e assim?”
Foi para esclarecer esta questão que ainda há bocado telefonei a várias entidades com responsabilidades na área da investigação criminal. Fiquei a saber que existem vulnerabilidades nos computadores e telemóveis do PS e pedi que se estudasse a forma de as reduzir oferecendo-me para pagar se fosse preciso.
9. Um Secretário Geral
O Secretário Geral Presidente da República não cede a pressões, não faz comunicações tontas ao país, não interrompe o seu silencio, não se levanta da cadeira de baloiço, nem se deixa condicionar, seja por quem for e se alguém o tentar, lixa logo o BE e o país inteiro.
Foi por isso que entendi dever manter-me em silêncio durante a campanha pelo compromisso de salvação, tirando aquelas bocas que mandei off-record para a imprensa a dizer que os do governo estavam irredutíveis e, sexta-feira às 20:00, dizer na televisão que não negociei nada naqueles seis dias e mandar um mail ao Soares com letras muito grandes a dizer.
Agora, passadas as negociações, e porque considero que foram ultrapassados os limites do tolerável e da decência, espero que os portugueses compreendam que fui forçado a fazer algo que não costumo fazer: partilhar convosco e com o BE, em público, a interpretação que me lembrei sobre este assunto que foi para a comunicação social durante vários dias sem que alguma vez a ela eu me tenha referido, directa ou indirectamente ou falado off-record. Já disse que foram só os mails para as redações a dizer que o governo estava irredutível e isso.
E sabendo todos que o Secretário Geral Presidência da República é um órgão unipessoal que sou eu e que, sobre as suas posições, só o Secretário Geral e todos os outros gajos que têm cartão de militante, se pronunciam.
Uma última palavra quero dirigir aos portugueses: podem estar certos de que, por maiores que sejam as dificuldades, estarei aqui para defender os superiores interesses do PS, lixar o BE, tramar Portugal e tomar as gotas."
sábado, 20 de julho de 2013
Quando a sombra da porca cheira mal
Pelos documentos disponibilizados, parece que o PSD concordou com a renegociação com a troika e propôs que o proponente da renegociação estivesse presente.
Governo e PS renegociariam com a troika e aceitariam o resultado da renegociação.
Ora aqui é que porca torceu o rabo! A porca pôs as coisas da seguinte maneira: exigimos a renegociação com a troika mas não aceitaremos o resultado dessa renegociação!
É porca mesmo, a porca. Vê-se pela sua sombra.
Governo e PS renegociariam com a troika e aceitariam o resultado da renegociação.
Ora aqui é que porca torceu o rabo! A porca pôs as coisas da seguinte maneira: exigimos a renegociação com a troika mas não aceitaremos o resultado dessa renegociação!
É porca mesmo, a porca. Vê-se pela sua sombra.
A sombra de Seguro
"Seguro tem medo da sua própria sombra, quanto mais da sombra de Sócrates" - Marques Mendes.
Não está mal visto!
Não está mal visto!
Pequeno Seguro finge que Cavaco claudica
O pequeno Seguro veio fingir que durante horas e horas, em nove reuniões sucessivas, o PS propôs aumentar a despesa do estado, enquanto o Presidente da República que tinha um observador presente, se congratulava com o bom evoluir das negociações.
Será que pode fazer-nos acreditar que Cavaco está irreversivelmente senil?
Será que pode fazer-nos acreditar que Cavaco está irreversivelmente senil?
Mentir com quantos dentes tem
O pequeno Seguro, fingindo-se de Sócrates, veio pretender que fez nove reuniões com o PSD e o CDS e que da primeira à última foi defender que não havia cortes no estado e se tinha que aumentar a despesa em apoio social.
Que o disse uma vez, o governo disse que nem pensar e marcaram uma segunda reunião.
Nessa segunda reunião o PS repetiu o que já dissera, o governo repetiu que nem pensar e marcaram uma terceira reunião.
Que isto aconteceu nove vezes.
É preciso ser muito estúpido para acreditar nesta socratisse.
É preciso ser não mais que um pequeno chefe de gabinete, admitido por cunha, de um subsecretário de estado - ser, enfim, um Pequeno Seguro - para tentar que o país acredite que isto se passou desta maneira.
Que o disse uma vez, o governo disse que nem pensar e marcaram uma segunda reunião.
Nessa segunda reunião o PS repetiu o que já dissera, o governo repetiu que nem pensar e marcaram uma terceira reunião.
Que isto aconteceu nove vezes.
É preciso ser muito estúpido para acreditar nesta socratisse.
É preciso ser não mais que um pequeno chefe de gabinete, admitido por cunha, de um subsecretário de estado - ser, enfim, um Pequeno Seguro - para tentar que o país acredite que isto se passou desta maneira.
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Albuquerque
Gostei da combatividade da nova ministra das finanças durante o debate da moção de censura do PEV.
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Irrevogável o quê?
Esta crise - a da salvação nacional - apagou a memória da palavra irrevogável.
A coligação agradece.
O pequeno Seguro não percebe o que está a acontecer e quando acordar pode ser tarde.
O País agradece.
A coligação agradece.
O pequeno Seguro não percebe o que está a acontecer e quando acordar pode ser tarde.
O País agradece.
Vingança arrefece em Cavaco
A sede de vingança pela desfeita que Passos e Portas lhe fizeram, vai arrefecendo em Cavaco. É humano. E mais humano é quanto mais Cavaco vê o seu ego satisfeito com a nova influencia que ganhou com o beija-mão em seu torno.
Quando voltar das Selvagens à selva Cavaco saberá que a dissolução da AR agora é impossível.
Quando voltar das Selvagens à selva Cavaco saberá que a dissolução da AR agora é impossível.
Como é que se pronuncia Marshall em alemão?
Também os Alemães se assustaram com a crise portuguesa. O silêncio deles é infernal.
Eles não podem ter uma segunda Grécia. Por estes dias limitam-se a rezar.
Da próxima vez que Portugal falar com a troika, vamos estar mais fortes com Portas e eles mais fracos com o susto que apanharam com a nossa crise.
A nossa dívida é impagável.
Acabámos de descobrir quem a pagará. Só nos falta saber como se pronuncia Marshall em Alemão.
Eles não podem ter uma segunda Grécia. Por estes dias limitam-se a rezar.
Da próxima vez que Portugal falar com a troika, vamos estar mais fortes com Portas e eles mais fracos com o susto que apanharam com a nossa crise.
A nossa dívida é impagável.
Acabámos de descobrir quem a pagará. Só nos falta saber como se pronuncia Marshall em Alemão.
Seguro ajuda Cavaco. Cavaco mata (sem querer) Seguro
O pequeno Seguro ajudou a retirar Cavaco do acantonamento em torno da coligação - ou provou que não estava acantonado, o que é, politicamente, a mesma coisa.
Cavaco é tão influente que o PS se reúne com o Governo a ordens de Cavaco.
Seguro, o pequeno Seguro é fraco e não percebe que está destinado à morte neste processo se este durar uma semana que seja.
Morte às mãos da esquerda, o BE e a ala esquerda do PS.
Morte às mãos do PR valorizado pelo beija mão.
Morte às mãos do Governo que após este terramoto passará pelas autárquicas incólume, agora que o PS as tornou irrelevantes.
Morte às mãos da UGT, paralisada como ficou nesta crise.
Morte às mãos das confederações patronais entregues, assustadas, por Cavaco no regaço do Governo.
Cavaco é tão influente que o PS se reúne com o Governo a ordens de Cavaco.
Seguro, o pequeno Seguro é fraco e não percebe que está destinado à morte neste processo se este durar uma semana que seja.
Morte às mãos da esquerda, o BE e a ala esquerda do PS.
Morte às mãos do PR valorizado pelo beija mão.
Morte às mãos do Governo que após este terramoto passará pelas autárquicas incólume, agora que o PS as tornou irrelevantes.
Morte às mãos da UGT, paralisada como ficou nesta crise.
Morte às mãos das confederações patronais entregues, assustadas, por Cavaco no regaço do Governo.
A guerra civil da esquerda
Como previmos a esquerda dá os primeiros passos de uma longa guerra civil, inevitável se o PS chegar a acordo com o PSD CDS e altamente provável se o falhanço das negociações não for feito com grande estardalhaço por parte do pequeno Seguro.
A probabilidade de haver acordo é muito baixa. Mas a própria tentativa é malsã para o PS. Quanto mais tempo durarem as negociações pior para o PS e melhor para a coligação. Como o aplauso nos Jerónimos mostrou, a ameaça de catástrofe financeira lançou um toque a rebate na direita unindo-a. Isso mesmo vê-se também no Parlamento e nas declarações públicas de membros de ambos os partidos.
A saúde da coligação melhorou muito com a ameaça presidencial. Faz parte da alma nacional a união em tempos de crise. Cavaco e a resposta da bolsa e dos mercados foram a crise e o cerrar fileiras na coligação cresce cada dia. As críticas do PSD à vitória de Portas desapareceram instantaneamente face a uma ameaça maior.
PSD e CDS articulam-se e o PS cometeu um erro de palmatória: concordou com a apresentação de propostas escritas no âmbito das negociações para o compromisso de salvação nacional. O que escrever não poderá apagar e nada que lhe seja útil pode escrever, se tiver alguma coisa de concreto. Ou é ridiculamente vago e percebe-se que faz teatro ou o que escrever será definidor.
A probabilidade de haver acordo é muito baixa. Mas a própria tentativa é malsã para o PS. Quanto mais tempo durarem as negociações pior para o PS e melhor para a coligação. Como o aplauso nos Jerónimos mostrou, a ameaça de catástrofe financeira lançou um toque a rebate na direita unindo-a. Isso mesmo vê-se também no Parlamento e nas declarações públicas de membros de ambos os partidos.
A saúde da coligação melhorou muito com a ameaça presidencial. Faz parte da alma nacional a união em tempos de crise. Cavaco e a resposta da bolsa e dos mercados foram a crise e o cerrar fileiras na coligação cresce cada dia. As críticas do PSD à vitória de Portas desapareceram instantaneamente face a uma ameaça maior.
PSD e CDS articulam-se e o PS cometeu um erro de palmatória: concordou com a apresentação de propostas escritas no âmbito das negociações para o compromisso de salvação nacional. O que escrever não poderá apagar e nada que lhe seja útil pode escrever, se tiver alguma coisa de concreto. Ou é ridiculamente vago e percebe-se que faz teatro ou o que escrever será definidor.
terça-feira, 16 de julho de 2013
E se a remodelação se der e o país começar a crescer?
Se Cavaco aceitar a remodelação após o compromisso de salvação nacional, o país começar a crescer e não emergir um novo PSD de dentro do PSD, Paulo Portas tem uma oportunidade como Lucas Pires teve antes de Cavaco ter surgido: a de se tornar um novo Sá Carneiro.
Não lhe falta talento e não lhe falta coragem.
Precisa apenas de uma oportunidade para acabar de tirar o CDS do gueto social de onde já quase saiu.
É claro que mesmo que a sorte lhe dê a janela que procura, Paulo Portas tem um inimigo poderoso perto de si e que pode estragar tudo: chamam-lhe Paulo Portas.
Não lhe falta talento e não lhe falta coragem.
Precisa apenas de uma oportunidade para acabar de tirar o CDS do gueto social de onde já quase saiu.
É claro que mesmo que a sorte lhe dê a janela que procura, Paulo Portas tem um inimigo poderoso perto de si e que pode estragar tudo: chamam-lhe Paulo Portas.
Se o PS perde, quem o pode derrotar?
O mesmo partido que derrotará Passos - o PSD.
Um novo PSD, com Rio ou outro, aparecerá, virginal, para tomar conta da loja.
São apenas necessários dezoito meses de compromisso do PS com o PSD para o PSD derrotar ambos.
O CDS manterá um pé dentro e um pé fora mal o PS entre. Trata-se de um trabalho difícil.
A não ser, é claro ... que o país dê a volta economicamente. Que continue a crescer, ao contrário do que imagina Pacheco Pereira, como parece que vai crescer este segundo trimestre. Que a Europa acorde e a troika mude. Aí, ao primeiro erro do PS, a coisa seria bem pior para o pequeno Seguro: a direita exigira cumprir o mandato até ao fim alegando que o PS violara o compromisso. Surgiria a moção de confiança, o ataque à instabilidade, uma nova AD com listas conjuntas pré-eleitorais.
O que é que o PS quer?
Poder. Depressa.
José António Seguro sabe que a sua oportunidade cinge-se a um tiro único. Se conseguir ser primeiro-ministro o seu poder no PS crescerá e ninguém se atreverá a contestá-lo. O costume. O PS (tal como o CDS) não é o PSD.
Por isso, guloso por eleições antecipadas, precipita-se na direção que lhe parece a mais curta para as conseguir: o compromisso de salvação nacional. Tenta vários malabarismos para fingir que se mantém coerente mas toda a gente percebe (e se não percebesse, o BE e o PCP gritá-lo-ão mil vezes em voz suficientemente alta para que se perceba) que corre atrás do pote.
O PS pensa que, se conseguir o tal compromisso, logrará prender o CDS e o PSD a um acordo que lhe permitirá governar sem maioria absoluta.
Nada mais falso. Ao embrulhar-se nesse compromisso o PS fica visto como um partido de negociatas, sem alma. Tira valor às autárquicas. Perde parte da esquerda para a esquerda, nomeadamente o BE e o PC, pois será obrigado a atacá-la a partir da oposição, muito diferente de ser já governo.
Haverá uma guerra civil à esquerda, não tenhamos dúvidas, e nessa guerra civil o PS não pode acenar com o papão da direita pois acaba de se comprometer com ela. O BE terá uma oportunidade única de ocupar espaço se mantiver o atual tom moderado. O PCP vive um novo fôlego.
O PS perde.
José António Seguro sabe que a sua oportunidade cinge-se a um tiro único. Se conseguir ser primeiro-ministro o seu poder no PS crescerá e ninguém se atreverá a contestá-lo. O costume. O PS (tal como o CDS) não é o PSD.
Por isso, guloso por eleições antecipadas, precipita-se na direção que lhe parece a mais curta para as conseguir: o compromisso de salvação nacional. Tenta vários malabarismos para fingir que se mantém coerente mas toda a gente percebe (e se não percebesse, o BE e o PCP gritá-lo-ão mil vezes em voz suficientemente alta para que se perceba) que corre atrás do pote.
O PS pensa que, se conseguir o tal compromisso, logrará prender o CDS e o PSD a um acordo que lhe permitirá governar sem maioria absoluta.
Nada mais falso. Ao embrulhar-se nesse compromisso o PS fica visto como um partido de negociatas, sem alma. Tira valor às autárquicas. Perde parte da esquerda para a esquerda, nomeadamente o BE e o PC, pois será obrigado a atacá-la a partir da oposição, muito diferente de ser já governo.
Haverá uma guerra civil à esquerda, não tenhamos dúvidas, e nessa guerra civil o PS não pode acenar com o papão da direita pois acaba de se comprometer com ela. O BE terá uma oportunidade única de ocupar espaço se mantiver o atual tom moderado. O PCP vive um novo fôlego.
O PS perde.
domingo, 14 de julho de 2013
Aplauso de pé nos Jerónimos
Não é irrelevante o tempo que mediou desde o aplauso de pé a Passos e Cavaco nos Jerónimos até às reações por parte da oposição ao governo.
Com as manifestações pela queda do Governo confrangedoramente vazias, o aplauso de pé a Passos foi um segundo momento de perplexidade para os opositores da coligação.
A perturbação necessitou de alguns dias para que surgisse uma tese explicativa.
Com as manifestações pela queda do Governo confrangedoramente vazias, o aplauso de pé a Passos foi um segundo momento de perplexidade para os opositores da coligação.
A perturbação necessitou de alguns dias para que surgisse uma tese explicativa.
A Quadratura do Circulo
Gostava de ter dados sobre as audiências da Quadratura do Círculo. O programa está de tal forma engajado no ataque e na maledicência previsíveis em relação ao governo que o seu interesse parece-me diminuído.
Lobo Xavier aparece, com algumas exceções, prestando vassalagem a Pacheco que, por sua vez, aparece para ajustar contas com o governo. Costa, se bem que menos que o seu antecessor, representa diretamente os interesses do PS numa postura de militante e não de homem livre. Essa militância quase só compete com a sua necessidade de branquear o governo politicamente criminoso de que fez parte e depois apoiou - o governo de Sócrates.
Quando se liga a televisão já se sabe o que se vai ouvir. É chato demais.
Pacheco Pereira e "A primeira manifestação do sindicato do Governo" II
No texto a que aludimos Pacheco Pereira interpreta o aplauso de pé a Passos Coelho na missa dos Jerónimos como fazendo parte da luta das classes altas contra as classes baixas.
Esta interpretação da dinâmica social não tem fundamento e integra-se na radicalização do próprio Pacheco.
Mas não é esse um dos problemas principais desse texto. Os problemas são outros.
Um deles é o ataque à Igreja Católica tentando associá-la à figura do cardeal Cerejeira. Conotar a Igreja com o "fascismo" porque os crentes aplaudem o líder do PSD é de uma maledicência incompetente.
Outro é o pretender ligar à manifestação dos crentes presentes nos Jerónimos a presença de forças de segurança. Fica por saber se Pacheco acha que os católicos só se manifestaram porque estavam protegidos pela polícia ou se acha que nenhuma manifestação é apropriada se for feita na proximidade da polícia. Ambas as teses são delirantes.
Outro ainda é a ideia de que o aplauso de pé foi a face visível de um "sindicato" do governo. Essa organização sindical de que ninguém havia ouvido falar, distinta do PSD e do CDS é uma organização do estado, segundo Pacheco. Trata-se mais uma vez de uma tese delirante.
Pacheco não suporta a ideia de que haja uma parte da população que aplauda de pé o Governo. Percebe-se essa intolerância há algum tempo e também ela parece pessoal. Uma das vítimas dessa intolerância é o Lobo Xavier que se esgota na tentativa falhada de equilíbrio entre o apaziguamento com Pacheco e a defesa dalgumas das teses do Governo.
Pacheco Pereira e "A primeira manifestação do sindicato do Governo" I
É engraçado o texto delirante de Pacheco Pereira, com o título acima transcrito. Pacheco sente um antagonismo pessoal em relação a Passos Coelho e ao seu grupo e isso envenena desde sempre a sua análise política dos tempos que correm. O caráter pessoal desse antagonismo tem uma gota daquilo a que um documento revelado pela wikileaks descrevia como a personalidade do PR - a pulsão vingativa.
Essa pulsão vingativa não deve ser desconsiderada na estratégia presidencial, que falou prolongadamente com Passos e Portas sem nunca lhes dar sinais de que se preparava para a intervenção que veio a fazer.
Mau grado a motivação ser racional ou não, o efeito da manobra presidencial é ou causticar ou humilhar o PS. PSD e CDS têm, neste contexto, melhores armas para se defenderem do ataque do PR.
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