quarta-feira, 29 de junho de 2011

Mentir, mentir até à porta do inferno

Ainda recentemente secretários de estado demissionários (os ministros e o primeiro-ministro desapareceram) e políticos do PS proclamavam a eficácia da correção das contas públicas ocorridas no primeiro trimestre deste ano. Em certos balanços lançavam a orgulhosa expressão superávite.

Agora percebeu-se que era tudo ... mentira.

Mesmo depois de decapitado o estado socialista canta ossanas, mentindo e resfolegando de tão intensa alegria.

Duas camisas de forças para esses homens e para a Senhora que em Berlim os elogiava.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Boas ideias e os liberais mais extremados

Uma pessoa para ter uma boa ideia precisa desde sempre de ter pedigree.

As boas ideias não valem por si mesmas.

O Ministro da Economia apresentou uma ideia: atrair reformados do norte e centro da europa para o sul do país, como a Flórida faz nos USA.

Contudo o Ministro não tem o pedigree necessário pois não é empresário, segundo dizem.

As boas ideias só podem partir de quem tem conta bancária para isso e está disposto a pôr dinheiro seu nas suas ideias.

Desenterrem D. João II e enforquem-no. Ele teve uma ideia para este país.

Passos Coelho e a Europa

Não gostei que Passos Coelho passasse tão blasé pela cimeira europeia.

Não gostei que Merkel gostasse tanto dele - Merkel também gostava de Sócrates, tal como gosta de quem quer que seja que diga que sim.

Ter um programa para o seu país e ter um programa para o continente e a união excede a simpatia.

Merkel não promove nem paga a conta de bailes de debutantes.

Aguardamos a chegada da verdade.

domingo, 26 de junho de 2011

Rocha Vieira e Paulo Macedo

No fim do mandato de Rocha Vieira em Macau este para combater o crime mandou vir um magistrado que prendia mafiosos violando descaradamente a lei.

Alguns, poucos, acharam que melhor teria sido ser eficaz de forma civilizada como fazem os Suiços, os Canadianos, os Americanos, os Holandeses, etc. Decidimos, em vez disso, inspirar-nos na Arábia Saudita e no Irão. 

No combate à fuga ao fisco Paulo Macedo fez pior que Rocha Vieira: violou direitos de forma sistemática como muito bem lembrou Pacheco Pereira na última Quadratura do Circulo. Direitos dos mais fracos. 

Esta questão lembra-nos da herança do Estado Novo e da Iª República. Só conhecemos dois tipos de figuras públicas. Os que nada fazem para defender os interesses do estado, sendo incompetentes ou pior, e os que para serem eficazes na prossecução do interesse público violam a lei e os direitos das pessoas.

Terceiro Mundo.

Discordar de si próprio

Estanislau. Nome invulgar. Praxis invulgar.

Trata-se do caso de um administrador que decidiu levar mais longe aquele conceito que todos conhecemos dos políticos que "enquanto governantes" são bem distintos do que são "enquanto líderes partidários".

Corria o ano de 2010 e o local da ação foram os CTT.

O senhor decidiu como chefe hierárquico de si próprio dar ordem de demissão de si mesmo, alegando que não cumpriu as suas próprias determinações.

A palavra esquizofrenia terá saído do dicionário?

Numa coisa tem razão

Numa coisa Oscar tens razão:

A banalização da mentira e a histeria correctora que se lhe seguiu fez com que muitos comentadores, como é o caso de Pacheco Pereira no artigo de opinião do Público e de muitos outros em blogs, deixassem de conseguir distinguir dois conceitos totalmente distintos na ética privada e parcialmente distintos na ética de Estado: mentir e mudar de ideia.

Mudar de ideia e mentir não são a mesma coisa.

Pacheco Pereira - errata e dúvidas

Pacheco publicou com alguns erros um artigo de opinião no Público dia 25.

Apresentamos a errata a pedido de várias famílias e algumas dúvidas / agradecimentos pessoais:

"Caso Nobre" - Por erro saiu um não a mais. Pacheco queria dizer que o facto de Passos Coelho ter passado o dia inteiro no Parlamento a tentar passar Nobre e ter sido incapaz de o fazer vencer a eleição, nomeadamente ter sido incapaz de convencer Portas a fazer o que qualquer imitador de Amaro da Costa teria feito a qualquer imitador de Sá Carneiro, não ter um plano B, ter decidido pôr na ordem os dois candidatos que proclamavam o seu amor pela "casa" e ido buscar uma pessoa tão light que ficou delirante com a honra, dando saltinhos de alegria, foi uma derrota que alerta para uma questão simples: quem manda? A teoria dos inimigos, semi-inimigos, semi-amigos, amigos e amigados era a reinar e foi um tipógrafo que por maldade publicou.

"A quebra de palavra de Nobre que mostra que a palavra de Passos nada vale". Nobre não quebrou a palavra dada porque não deu palavra nenhuma. Caíram em cima do bom doutor quando ele  ao telemóvel numa picada do Sri Lanka disse ao Expresso que não ficava no parlamento se não pudesse assumir a presidencia e o dito platinado doutor, já sentado e de cabeça fria, mudou de ideia e dizendo então que ficaria, se houvesse como servir os cidadãos sem presidir à casa. Isto há muito tempo. Além disso o que tem a palavra do Passos a ver com a do Nobre?

"teve quinhentos mil votos". A calculadora do arredondamento tinha pouca bateria. Quando pôs bateria e Pacheco viu que eram seiscentos mil o Público já estava nas rotativas.

A comparação que Pacheco faz entre as críticas à partidocracia de António Barreto Nobre e a acampada foram feitas já depois da meia noite e por isso não contam.

A manifestação da geração à rasca foi para aparecer na televisão e se as televisões desatarem a promover a acampada caiem lá imediatamente duzentas mil pessoas, o que eram muitos rolos de papel higiénico e por isso elas não alinham.

As criticas do António Barreto  movimento democracia verdadeira não têm qualquer fundamento pois todos sabemos que desde que existam partidos e eleições há democracia como os Mexicanos e Indianos bem sabem.

O Pacheco não grama o facebook mas não era para dizer já - era para outro artigo.

"Uma centena de pessoas decide pelo país inteiro" - ah não ma tinha apercebido disso.

"Era na acampada que Nobre devia estar"- eh pá Pacheco mas atão e aquele cabelinho com laca como era?

A malta da acampada apoia o general fuzilador de Singapura? É tudo a mesma coisa? - é bom que alguém avise.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Governo grego e a moção de confiança

Vencida a moção de confiança a Grécia deve limpar a casa e Portugal deve liderar a resistencia aos juros absurdos da UE.

Os apoios comunitários ao desenvolvimento devem deixar de depender do co-financiamneto nacional dos projectos durante três ou quatro anos.

Governadores Civis

Pedro Passos Coelho mantém a liderança ao não distribuir os Governos Civis pelos amigos.

Assunção Esteves

Pedro Passos Coelho surpreende ao escolher um nome inesperado.

Duplicidade, traição e a demissão de Fernando Nobre

Lamento que Fernando Nobre não se tenha demitido do cargo de deputado à AR após a sua derrota de ontem.

Um dos problemas de muitos independentes que decidem abraçar uma causa política é a compreensão incompleta da ferocidade desse meio. São muitas vezes pessoas com boas intenções, inteligentes, articuladas e com falta de treino na comunicação em ambiente em que predominam os sound bites de tom politicamente correto. Essa falta de treino, a bondade das suas intenções e a não compreensão da agressividade do meio político são-lhes geralmente fatais.

Parecia o caso do falecido Gentil Martins e talvez seja o caso de Fernando Nobre.

Acresce que muitas destas pessoas têm um pensamento original sem que contudo esse pensamento seja filosoficamente completamente estruturado. Por último são pessoas sós na migração para as causas políticas. O resto dos seus companheiros de sempre fica para trás.

Na actual praxis política há inúmeros casos de candidatos a deputados que não têm a menor intenção de ocupar o cargo. É prática corrente. Posso dar os nomes de Alberto João Jardim ou José Sócrates mas qualquer um de nós pode nomear muitos mais.

Não há qualquer razão decente para que alguém isole um candidato e faça campanha contra ele por se candidatar a deputado com outra intenção que não a de ficar na bancada. Quem o faz serve outra agenda.  Fernando Nobre devia ter-se mantido desde sempre fiel  à sua posição inicial: tinha um projecto para aproximar a AR dos cidadãos, esse projecto pode ser prosseguido apenas por grupos políticos organizados ou pelo presidente da AR pela projeção especial que é possível atingir através do cargo.

A quem  o acusasse de arrogância limitava-se a dar um ou dois exemplos de pessoas de se candidatam à AR com o propósito de prosseguirem outros projetos, notar a duplicidade do critério e repetir que a sua ambição era aproximar a AR das pessoas. Repetir e esperar. 

Mal foi derrotado, mal foi cuspido, o meio que o devorou entrou em damage control tentando amansá-lo e apaziguar a consciencia própria dizendo que afinal ele era uma pessoa prestigiada e boa. Só que não ao nível de um Guilherme Silva...

Por outro lado Paulo Portas foi prejudicado por ter falhado um cálculo. Portas convenceu-se que Nobre seria eleito sem os votos do CDS e por isso deu ordens para os deputados do CDS dobrarem à vista de toda a gente os boletins mal os recebessem para que fosse público que votavam em branco e não em Nobre. A ideia não era trair Passos - a ideia era atestar que cumpriam os compromissos com o seu eleitorado, que falavam verdade e eram coerentes. O país está carente de sinais de que os políticos falam verdade e Portas queria dar sinais nesse sentido.

A estratégia falhou até por incompetência de Nobre que tinha dito que a solidariedade maçónica garantia os votos necessários na bancada do PS.

Portas falhou a sua estratégia mas não traiu ninguém e manter-se-á leal à coligação.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A Humilhação de um Nobre pela República

Um homem que dedicou toda a sua vida aos outros, que constituiu do nada a mais prestigiada ONG não religiosa portuguesa e a única com projecção internacional, quantas vezes com risco pessoal, foi hoje humilhado pela instituição mais desprestigiada da República.

Acresce que além de ter vida pública própria, o homem atreveu-se a criticar em voz bem alta um dos ninhos da partidocracia, verberou a casa que se propunha mudar. A casa, aqueles senhores que se levantam e sentam quando o dono manda não gostou. Como podia mandá-los levantar e sentar, falar e calar, agendar e desagendar um mestre de cerimónias que não está habituado a ajoelhar? Como podia competir com pessoas que como Guilherme Silva e Mota Amaral passaram todo o dia a lembrar que nada tinham contra a casa?

Sózinho todo o dia, com raros deputados do PSD a acompanharem-no, com excepção do Pedro Passos Coelho, abandonado pela maçonaria e pelo parceiro da coligação que num pequeno-almoço recente o amolecera, foi maltratado sem apelo nem agravo todo o dia.

Os candidatos a independentes retirem daqui a lição mais visível: pode não se ser político e tentar-se entrar na política. O que não se pode fazer é deixar em casa o killer instinct ... para o ter, é claro, ajuda muito ser político. Coisa que poucos nobres são. 

Perceber a posição do CDS

A posição do CDS na eleição para a presidência da AR é difícil de perceber.

Se o Presidente da AR tem alguma importância e é um deputado - ou seja é eleito pelos portugueses - faz até mais sentido que os partidos que se acham em condições de poder propor o nome em causa, o façam antes das eleições, do que acontece com o nome do Primeiro-Ministro. As eleições são para deputados em primeira mão.

O PSD fez bem em dizer que nome propunha aos portugueses para liderar o Parlamento e Passos Coelho fez bem em dizer que o partido defende a aproximação do parlamento aos cidadãos.

O PSD fez campanha eleitoral na rua por Fernando Nobre.

Aparentemente o CDS, não tendo um candidato tinha uma agenda de veto contra o candidato do PSD. Foi o que disse Portas: tinha-se comprometido com o eleitorado com o veto a Nobre e agora era coerente. Sabemos que isso é falso. Portas apenas dissera que o candidato revelava falta de humildade democrática e que a sua eleição não estava garantida.

Percebemos agora que o CDS vetava Sócrates e vetava Nobre. Sabemos porque vetava Sócrates  que tinha exercido o cargo e tinha falhado. É necessário explicar melhor porque teria (sabemos que não o fez) feito campanha eleitoral vetando Nobre.

O seu líder parlamentar fez pior que Portas: veio dizer que devia ser uma pessoa com a "inteligência necessária" para o cargo, entre outras características. As outras características serão currículo. Inteligência não.

Ou seja o CDS decidiu enxovalhar o candidato do PSD, já após a sua derrota, sem se perceber bem com que vantagem. 

Não percebo o que quer Portas. 

Spin doctors

Os spin doctors de Passos Coelho, devem estar a correr para as redações dos jornais para tentar que as primeira páginas de amanhã se foquem na pessoa de Fernando Nobre, escondendo a falta de liderança do Primeiro-Ministro que passou o dia no parlamento e não conseguiu fazer passar o seu candidato.

Vai ser difícil: ou o candidato não prestava e fica em causa a competência de Passos ou o candidato prestava e fica em causa a capacidade de liderança de Passos Coelho.

Se a coisa se arrastar para amanhã mais impacto terá a derrota de Passos.

domingo, 19 de junho de 2011

A má sorte dos inimigos da caridade (I)

Uma das pessoas que na minha opinião mais tem contribuído para a reanimação semântica de certas palavras em Portugal, tem sido Vasco Pulido Valente. Muita gente dedica tempo a tentar encontar e até colecionar os disparates desse génio. Não me dou a tal actividade porque sei bem que o que distingue o génio do homem comum, é a capacidade do primeiro ver mais longe que o último e não o facto de não avançar aqui ou ali um disparate.

Todos sabemos que o recordista mundial de velocidade pode andar tão devagar como um portador de deficiência motora, mas nunca um portador de tal deficiência pode correr tão rápido como o dito campeão.

Palavras que aqui há quinze anos estavam erradicadas do discurso público entraram em circulação. Palavras virtualmente ofensivas como bondade (reintroduzida em grande parte por VPV na expressão "bondade da decisão"), honestidade, herói, pessoa frágil, pobre (ao contrário de pobreza que se manteve sempre permitida), mentiroso, são agora ditas sem vergonha. 

Defendo que a melhor maneira de seguir a mudança duma cultura é seguindo a evolução das palavras do discurso aceite. As palavras proibidas começam a despontar em meios auto-limitados, sub-culturas, nichos, até que alguém as reintroduz (ou introduz) no discurso "mainstream", onde são  muitas vezes aceites com uma rapidez inesperada, que significa terem morrido ou sido digeridos conceitos que a conotavam de forma inaceitável ou, ao contrário, que soçobraram as ideias  que antagonizavam o seu uso. No naipe das palavras trava-se muito mais que uma batalha semântica, trava-se a guerra da mundivisão.

A evolução linguística das últimas duas décadas em Portugal tem sido uma sequência lenta de vitórias para a direita e para a verdade. Ainda recentemente, numa entrevista na SIC um homem da esquerda decente, António Barreto, teve uma expressão inesperada que dificilmente seria aceite há dois ou três anos: o entrevistador convidava Barreto a esclarecer que longe dele estava a ideia de demonizar fosse quem fosse, pois é óbvio que um homem tão ilustre não seria tentado por tal maniqueísmo, quando Barreto lhe diz de forma clara, quase brutal, que "não me importo de demonizar o demónio".

Essa entrevista é uma peça de antologia da mudança em curso na cultura portuguesa que quando passa pelo uso intencionado das palavras, tem como expressores pessoas com coragem intelectual acima da média.

Blair nunca. Perceberam agora porquê?

A Sra. Angela Merkel, a candidata a coveira do euro, recusou terminantemente a candidatura de Blair a "presidente" da europa, preferindo um senhor que é tão influente como Barroso mas mais calado. Aparentemente a senhora não gostava de Blair por causa da apetência deste para o estrelato e, mesmo, por falar demais.

Percebe-se agora com o comportamento suicidário da Alemanha, com a sua manha na busca do lucro a curto prazo, porque é que Angela preferia Herman José  Van Rompu.

Barroso não existe

"Eu não percebo - sem dúvida sou demasiado ingénuo - esta perversidade europeia que exige que, quando se trata de atribuir à Grécia volumes financeiros importantes em matéria de coesão e de política regional, continuemos a insistir na obrigação de co-financiamento daqueles programas", afirmou Jean-Claude Juncker


O presidente do eurogrupo propõe que a ajuda à Grécia venha do orçamento da UE e não de empréstimos.


Igualmente afirmou que se está a brincar com o fogo arriscando que com a queda da Grécia caiam Portugal, a Irlanda, a Espanha, a Bélgica e a Itália.


Barroso, como é evidente, não existe.


Portas tem uma oportunidade de entrar para a história falaando português claro no eurogrupo.

sábado, 18 de junho de 2011

Não digam ao Marcelo. É segredo

Fernando Nobre quer recandidatar-se com hipótese de vencer a próxima eleição para Presidente da República.

Quer juntar os 600.000 votos que obteve aos votos que Cavaco. Diz que é de esquerda e o timing é o correcto - nem precisará de se demitir de presidente da assembleia da república para ser candidato.

Percebe-se a ideia. Se fosse ministro não ia lá. Agora, antes disso, tem de conseguir vencer uma eleição, mesmo que esta só tenha um universo de 230 votantes.

Depois, tem de perceber que não se passa de número dois para número um do estado com um saltinho no pódio de prata para o de ouro. Tem de se descer até ao chão e começar do "zero".

Não digam a ninguém. Principalmente não digam nada a Marcelo, a Barroso e ao Freitas. É segredo.

Oscar, 18-06 (20:25)

Um ano depois da morte de Saramago

Pilar fala da cama que se partilha entre duas pessoas maduras, fala do amor maduro.
Gostei de a ouvir.

Negociar com estilo

Mário Nogueira, líder da Fenprof, afirmou que  "muitas vezes o estilo" constitui um entrave às negociações entre os sindicatos de professores e o Ministério da  Saúde. 

Muitas vezes.